11 de janeiro de 2017

Tapete feito de histórias








Este não é um tapete qualquer. São tiras e mais tiras de tecido que quase daria para dar a volta ao mundo. São retalhos de várias vidas inseparáveis pelos pontos que as une. É um tapete com história. Histórias das pessoas que um dia as vestiram. Nele vejo uma menina de saia verde e mochila às costas a caminho da escola. Vejo-me a mim de vestido pelos tornozelos, de um azul acinzentado, que tanto podia ser feito do céu carregado em dia tempestuoso, como dos caminhos pedregosos de aldeia transmontana. Vejo uma casinha térrea com as suas cortinas às flores. E a felicidade estampada no rosto de uma espanhola de vestido às bolinhas e xaile de franjas pelos ombros. É um tapete feito com as voltas que o destino nos traçou. Foi purificado nas voltas roxas pela iniciação ao reiki e ganhou o equilíbrio nas posturas do yoga.

Aquilo que antes era só um montinho de pequenas sobras de tecidos e excedentes de bainhas e cós de calças, logo se transformou numa montanha de roupas fora de serviço e guardadas à espera de novo destino. Umas mais recentes, outras nem tanto. Umas guardadas sabe-se lá porquê, outras pela velha máxima de que ainda poderiam vir a servir para alguma coisa. E eu que me encanto com as cores e texturas dos tecidos e em tecer histórias nos seus padrões. E reinventar. E dar nova vida àquilo que supostamente já deu o que tinha a dar, porque velhos nem os trapos!



Guardei algures as fotos do passo-a-passo, mas como este é um trabalho já com algum tempo, foi-se a bendita pasta. Com o excesso de fotos, ou falta de organização delas, é como procurar uma agulha num palheiro. 

Numa descrição breve: 
Cortei os tecidos em tiras que cosi umas às outras aleatoriamente. Com uma agulha de croché, nº 8, comecei por fazer um pequeno círculo de cordão para servir de suporte à volta seguinte de pontos baixos. Tricotei sempre a toda a volta e até ao tamanho desejado, com o mesmo ponto (baixo), acrescentando alguns pontos a cada nova carreira para dar o formato plano. 

É simples, económico e um óptimo anti-stress. Também se podem usar rolos de trapilho em vez de tiras cortadas em casa.



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