julho 15, 2018

Criatividade Nocturna





Há noites que teimam em ser dia mesmo que lá fora esteja escuro como breu. E há serões em que me deixo embalar pela criatividade e não há hora para parar. Não sei se é das ausências ou se do silêncio da noite, mas o corpo não quer cama e a mente fervilha. Ontem foi um desses dias, ou noite… Estive entretida com um novo projecto para o lar. Mais um. É só o esboço de uma ideia e como tal, sujeito a alterações e afinações...

💜

junho 27, 2018

A minha última criação





De vez em quando lá ando eu de volta das agulhas e da tesoura...Raramente sei como vai terminar, mas sei que a imaginação é o limite (e os dotes da modista, claro! Que isto não é um poço sem fim de onde o talento e a sabedoria brotam sem parar). Nem é a cartola do mágico (com pena minha!) donde sai tudo à vontade do freguês, sem esforço e perfeitinho. Ah, e o tempo, esse safado que me faz correr uma maratona inteira e ainda com saltos de obstáculos pelo meio antes de conseguir atingir a meta.

Desta vez os figurinos subiram ao palco e brilharam.

Tudo começou com uns simples bodies. Como duas cabeças pensam mais do que uma, havia sempre mais alguma coisa a acrescentar, ou a tirar (e parece-me que vão continuar em processo de alteração…). Folhos para dar movimento. O esvoaçar fica sempre bem em palco. E brilho. Felizmente (e ainda sem sabermos bem o que ia sair dali), encontrámos o tecido certo à primeira tentativa. Uma malha levezinha, cinza clara com fios brilhantes na trama. Para a dupla manga e folhos traseiros, um vaporoso tecido branco. Umas lantejoulas prateadas deram o remate final.


























































Vamos lá então ao processo propriamente dito…



(ou parte dele porque com a pressa esqueci-me de registar em fotos todos os passos)


















Como dá para perceber nas imagens, usei um molde que desenhei previamente, para fazer o folho da manga e que cortei em ambos os tecidos, mas deixando uma margem maior no branco. Quanto à manga original, cortei-a acima do cotovelo depois de pregados os folhos. Um dos lados do papel assenta sobre a dobra do tecido para que no final resulte num círculo. 






















Usei o mesmo processo dos moldes para cortar os folhos que preguei individualmente e ao alto na parte inferior detrás do bodie.

Quanto à parte da frente, sobrepus-lhe um tecido prateado igual ao das mangas. Deu brilho e tornou o corpo mais opaco. Preguei-o à mão em toda a volta, com pontos miúdos invisíveis.


Os papéis de publicidade que me metem na caixa do correio também têm a sua utilidade! :D



















Da oficina da maga,
com votos de boas inspirações!

junho 10, 2018

Dia de Portugal e de Camões






Neste dia dedicado a Portugal, às Comunidades Portuguesas e a Camões, nada mais adequado do que as palavras do poeta para homenagear os nossos antepassados e a língua que falamos e que está tão espalhada por este mundo fora.

Não foi ao acaso que escolhi este soneto, todo ele dedicado às deusas do Olimpo. E não é por acaso que as minhas filhas se chamam Diana e Helena. A mitologia sempre despertou em mim um enorme fascínio. A própria Astrologia tem uma ligação estreita com esse mundo fantástico e na sua base estão os 4 elementos enumerados por Camões. Ar, Fogo, Terra e Água.


A Vós Seu Resplendor Deu Sol e Lua

Pelos raros extremos que mostrou

Em sábia Palas, Vénus em formosa,
Diana em casta, Juno em animosa,
África, Europa e Ásia as adorou.

Aquele saber grande que juntou
Espírito e corpo em liga generosa,
Esta mundana máquina lustrosa
De só quatro elementos fabricou.

Mas fez maior milagre a natureza
Em vós, Senhoras, pondo em cada uma
O que por todas quatro repartiu.

A vós seu resplendor deu Sol e Lua:
A vós com viva luz, graça e pureza,
Ar, Fogo, Terra e Água vos serviu. 



- Luís Vaz de Camões, in "Sonetos" -


Feliz dia de Portugal, para todos os portugueses de sangue, ou de coração e para todos aqueles que fazem deste rectângulo a sua terra, mesmo que só de passagem!

                                                                         Fonte da imagem: Pinterest

maio 29, 2018

D. Sebastião, o gato!




Hoje tive aqui um cliente muito especial, o Sebastião! Chegou de mansinho, com uns arrufos pelo meio à dona Milka, mas logo sossegou no aconchego do meu braço. Dizem que os gatos absorvem as energias do lugar, mas este, desconfio, quis foi desvendar os mistérios nas minhas cartas. Mais uns treinos e teria ajudante! J

E ainda há quem diga que gato preto traz azar… Sortudos sim, aqueles que se deixam amar por uma criaturinha como esta. E sortudo o Sebastião pelos “papás” adoptivos que se cruzaram no seu caminho, o acolheram e retiraram de um lugar inóspito e de uma vida com futuro incerto. Ou antes, uma não vida…

Volta sempre, Sebastião!

                                                                                       































                                                                               Créditos das fotos: maga rosa

maio 27, 2018

Uma horta onde nascem bolas



E não, não é um fenómeno do Entroncamento. É simplesmente a minha horta onde de vez em quando nascem uns legumes um tanto ou quanto estranhos. Desta vez foram quase duas mãos cheias de bolas (a contar pelos dedos), que nasceram assim do dia para a noite. Vou para apanhar umas nêsperas e deparo-me com este fenómeno tão pouco natural. Ainda fiquei na dúvida se deveria deixá-las crescer mais um pouco (as bolas, que as nêsperas já estão no ponto), antes de as colher e enviar ao destinatário…

E lá acabei o dia a jogar uma espécie de pingue-pongue solitário, ou de voleibol (lembrei-me agora que nunca gostei deste desporto), para o outro lado do muro. J



                                                                                Créditos das fotos: maga rosa

maio 18, 2018

Achernar, uma estrela fixa



Temos uns dias mais primaveris e o céu fica outro, um verdadeiro espectáculo de estrelas cintilantes aos nossos olhos…

As estrelas (fixas) fazem parte do firmamento, a mais alta das esferas celestes, formam as constelações e são o pano de fundo sobre o qual os planetas se movimentam.

Em astrologia são de grande importância, dando muita força àquilo que tocam, e mesmo não alterando um mapa, acrescentam pequenos toques e podem ser causadoras de instabilidade. Actuam apenas por conjunção.

Usando o meu mapa como cobaia, junto ao ascendente e Saturno, encontra-se Achernar uma estrela da natureza de Júpiter, que confere honras e boa sorte e induz à caridade e religiosidade.
Tratando-se do ascendente, esta estrela contribui para um comportamento com bons modos. Justiça e piedade e mais uma dose de modéstia (já não me bastava Saturno!).
Sorte até tenho, quanto às honras e riqueza pelos vistos andam a passar-me ao lado. Deve ser por o planeta regente do signo onde se encontra a estrela (e o ascendente), estar posicionado no signo do seu Exílio (Gémeos) e que me leva a não saber aproveitar as oportunidades. Saturno no conjunto também cria alguns limites.
Quanto a religião, não sigo nenhuma, no entanto, não deixo de ter a minha própria fé.

Recordo-me de em criança, estava eu na primeira classe, o padre ir à escola ensinar-nos o catecismo e de pelo menos uma vez, juntamente com um grupinho de colegas ter ido levar a professora à paragem do autocarro e pelo caminho de terra batida lá fomos nós dizendo e cantarolando as orações em coro. Eu tinha uma predilecção muito especial por Jesus Cristo e por causa daquele episódio em que ele andou sobre as águas sem ir ao fundo, desenhei-o à superfície do mar. Durante muito tempo lembrei-me daquele desenho com orgulho, até que um dia passados uns anos, tornei a vê-lo e para minha surpresa, o mar mais parecia um aquário. Ainda hoje, costumo brincar com isso, dizendo que desenhei Jesus Cristo dentro de um aquário.
Já no 2º ano, com uma nova professora que me levava de carro para a escola (morava numa aldeia e ia à escola noutra), num belo dia de aulas em que estava marcada a nossa 1ª comunhão, pelo caminho encontrámos um grande obstáculo. Uma árvore caída a toda a largura da estrada e que nos impediu de chegar a tempo. Resultado, eu fui a única que não fez a 1ª comunhão. Trapalhadas de um Júpiter debilitado ou obstáculos de Saturno, venha o diabo e escolha!


Achernar deriva do árabe e significa “o fim do rio”, o rio Eridano, (ou Eridanus) como a constelação à qual pertence e que se encontra no hemisfério celestial sul. É um dos cinco rios que cruzam Hades na mitologia grega, mas não se sabe ao certo a que rio “real” corresponde. O Eridano é mencionado em escritos da Grécia Antiga como sendo um rio na região norte da Europa e tanto poderia ser o rio Pó, como o Nilo ou o Danúbio. Eufrates (Iraque e Turquia) também é uma possibilidade a considerar.


Segundo a lenda, Phaeton por imprudência, tomou as rédeas dos animais que puxavam a carruagem que conduzia o Sol e não tendo conseguido dominá-los, precipitou o veículo sobre a terra, secando os rios e incendiando as florestas. Zeus, ou Júpiter foi em auxílio e para salvar o universo acabou por o fulminar com o seu raio, caindo este, ferido, no rio Erídano onde se afogou. As Helíades ficaram tão sentidas com a perda do irmão que se fartaram de chorar e os deuses com pena delas transformaram-nas em 3 carvalhos. As suas lágrimas no entanto continuaram a fluir e quando caíam ao rio transformavam-se em âmbar.
Por causa desta lenda, o âmbar tem sido considerado ao longo dos tempos um símbolo de amor fraterno.

                       
                                                                       Imagem fonte: Pinterest

maio 06, 2018

O meu novo caderno em branco...





A vida é feita de inúmeros ciclos e cada um surge como uma espécie de caderno em branco para nos dar a oportunidade de escrever novas histórias. Também podemos pegar naquelas já escritas e reescrevê-las, ou então, outra possibilidade e muitas das vezes é o que acontece, é fazermos um “copy/paste “ e continuar tudo igual a antes, sem mudarmos sequer uma virgula.

Ontem foi-me dado um novo caderno para preencher ao longo de um ano. Veremos o que o futuro me reserva, ou o que farei com as novas folhas em branco. Trezentos e sessenta e cinco dias ainda dá para fazer muita coisa… Ou não, se ficar só a ver a carruagem passar…

Com a volta do Sol ao mesmo ponto onde se encontrava no momento do meu nascimento, veio o signo Sagitário para o Ascendente. Menos mal. Fogo é sempre fogo, mesmo que seja só um pequeno braseiro apagadiço. eheheheh

Até ao próximo dia 5 de Maio, espero ter muitas histórias para vos contar!




                                                                              Créditos de imagem: maga rosa