14 de agosto de 2017

Tie-dye


Tie-dye é nada mais, nada menos, que o tingimento de tecidos de forma artesanal, depois de amarrar parte deste com cordéis, ou algo semelhante, de forma a cobrir o que se quer manter na cor original. O resultado é um desenho irregular, mas de surpreendente beleza. Cada peça é única e um mistério, até se começar a desenrolar o tecido tingido. Foi uma técnica muito usada nos anos 60 pelo movimento hippie.

A primeira vez que fui à descoberta das mandalas resultantes do tingimento por cozedura, era adolescente, no virar da década de 70 para 80. Fiz uma bolsa para guardar guardanapos. Naquela época as meninas faziam enxoval, lá está! Era assim uma espécie de dote! Rsrsrsr

Mais tarde, já mãe, foi a vez da minha filha mais nova descobrir este método tão original e de se aventurar na transformação de um vestido. E de uma tarde (a duas), entre panelas, tecidos e tintas, saiu uma obra de arte. Há pois é! O tingimento em "tie dye" dá verdadeiras obras artísticas! Para nós foi mesmo uma grande surpresa, porque quando começámos a enrolar o tecido, a atar cordéis e de o pôr a cozer na panela com os corantes, um a um, não sabíamos o que iria sair dali.

Tornamos a repetir a experiência, mas desta vez com uma camisa branca e corante preto (que no final resultou em tons de cinza). As cores mais ou menos fortes conseguem-se usando mais ou menos corante. Seguimos as instruções que vêm no pacote do corante em pó. Na água da cozedura juntam-se umas colheres de sal e depois na água da lavagem, é o vinagre para fixar a cor.


 As fotos que se seguem, foram do processo de tingimento, mas esqueci-me de fotografar a parte em que se ata o tecido com os ditos cordéis. Usámos tiras de trapilho. 



 
Aproveitámos a mesma água para tingir também um pedaço de tecido, com o qual confeccionei uma almofada para o quarto dela.










E por último, o vestido primeiro, a obra resultante da iniciação da minha Helena no mundo dos tecidos tingidos em casa!
Feito com o 💜
                   

8 de agosto de 2017

Água, por favor volta!


Domingo ao final da tarde, com o corpo a pedir um bom banho de água doce e o cabelo emaranhado pelo sal e pela água da praia, meti-me na banheira e fui presenteada com um duche lamacento. Aos meus pés a água começou a cair suja, amarelada. Passados os primeiros segundos em que um daqueles pensamentos parvos nos atravessa a mente (neste caso, era eu que estava imensamente suja), percebi que havia problemas. Mal sabia eu que aquilo era só o começo de uma enorme provação para uma cidade inteira. Tomei o meu banho na mesma. Substituí o sal no corpo por areia, mas do mal, o menos.  

À noite, na net, começaram a surgir as publicações sobre o incidente (se queremos saber as novidades é correr para o facebook ;) ) e a situação era geral. Não foi só na minha casa-de-banho. Um problema com o furo de água devido à escassez no sub-solo e a areia subiu para as canalizações. Grande dor de cabeça, é o que é!

Cá para mim, foi um complô entre a fábrica das toalhitas e as das águas engarrafadas. A esta hora já devem ter esgotado nos supermercados.

Sei que há gente a trabalhar noite e dia para resolver o problema e que um novo furo vai ser preciso construir. Mas, como um mal nunca vem só (dizem!), durante a noite passada, quando tudo se encaminhava para água começar a jorrar das nossas torneiras, limpa e transparente (mais ou menos), houve o rebentamento de uma conduta. E lá voltamos à estaca zero. Ou seja, sem fim à vista do regresso aos tempos primitivos (ainda mais para quem vive acima dos primeiros andares).

Ontem à noite os genros vieram tomar banho cá a casa. Na casa de banho do r/c saía um esguicho que deu para desenrascar quem durante o dia trabalhou no duro… Água fria e turva, mas podia ser pior. Há quem nem isso tenha. Ou podia ser Inverno.
Hoje, dois dias depois, nos pisos térreos já corre água que basta para accionar o esquentador, mas quem mora em andares continua a viver o drama das torneiras secas.

É quando não a temos que lhe damos valor. Água, este bem tão precioso!



                                                                                                    Fotografia de Lara Zankoul

1 de agosto de 2017

Roupa de papel
























A imaginação tem o tamanho que cada um lhe quiser dar e que o diga a Srª dona Cândida Henriques, uma octogenária muito prendada, com mãos de fada que lá vai dando forma a roupas de papel. Isso mesmo que acabaram de ler, trajes todos feitos em papel, até ao mais pequeno detalhe. Eu tive de olhar bem de perto, para me convencer que realmente nem as blusas tinham tecido na sua confecção.

Estes modelitos fizeram parte de um desfile integrado nas festas do centro de bem-estar social de Vale Figueira, que vai tendo umas iniciativas bem interessantes e dinâmicas, com os seus utentes e que todos os anos leva a população ao centro (ou vice-versa), tendo como tema principal, um concurso de arroz-doce. E que bem que me soube!




30 de julho de 2017

"O sonho comanda a vida"




















“Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
  como outra coisa qualquer…”

Já pensaram como seria se não tivéssemos a capacidade de sonhar? Costumo dizer que, quem deixou de sonhar é como se tivesse deixado de viver. É o sonho que nos faz querer fazer mais, ser mais… É a alavanca que nos serve de impulso para nos pormos ao caminho (o que fazemos quando chegamos ao destino, isso já é outra coisa). Ou se andamos numa espiral de sentidos sem sair do mesmo lugar. Eu por vezes sou assim, sonho, sonho…deixo-me andar por ali a pairar e não arrisco a dar forma a este turbilhão criativo que me preenche até à alma. 

“Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel…”

É por isso, que quem sonha vive num mundo multicor, numa tela inacabada e em constante transformação e os pincéis têm o poder mágico de pintar sem limite de formas e detalhes. 

“Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.”

E eu, saltando por cima da minha modéstia e esperando não estar a dar um salto maior que as pernas, atrevi-me a sonhar mais alto e a querer levar mais longe esta bola (blog), que tanto prazer me tem dado carregar. Sei que somos pequeninos (eu e a minha criação), mas também tenho o direito de sonhar, ou não tenho? ;)
Passo a vida a dizer que nada acontece por acaso e que devemos estar atentos aos sinais… E foi o que decidi fazer quando (mais uma vez e por acaso), ouvi falar em Blogs do Ano na rádio...

Obrigada, ao António Gedeão, por nos ter dado a pedra filosofal!

22 de julho de 2017

Mini-férias em bike...


Esta minha vontade de andar por aí fora é qualquer coisa… ahahah
Se é para ir andar de carro, de comboio, ou seja lá o que for, lá estou eu! Não importa o destino, o que interessa mesmo, é ir… Mas se é para conhecer sítios novos (mesmo dentro daqueles que já conheço) e de preferência se puder levar a máquina fotográfica a tiracolo, melhor ainda. Esta semana, aproveitando uns dias de férias do marido, metemos as trouxas e as bicicletas no carro e lá fomos rumo ao litoral, com intenções de lavar as energias e a alma e ainda pedalar um pouco. O destino foi S. Martinho do Porto e à laia de improviso abancámos no parque de campismo “Colina do Sol”, que se revelou uma agradável escolha. Ainda esperei ver o nascer do sol a partir daquelas encostas, mas o céu nublado a única coisa que nos deixou ver, foram uns chuviscos vez ou outra.

Noutros tempos (já pareço o spot publicitário a um conhecido hipermercado que muito passou na tv…), Julho era o mês mais quente do ano e não havia cá misturas. Era calor seco e mais nada. Actualmente mais parece que vivemos num país tropical. Chuva e calor. No único momento em que fomos à praia, isto já no final da tarde do dia seguinte à nossa chegada, éramos nós a andar com os pés na água e o céu a enviar-nos uns chuviscos. Mas nada que nos impedisse de percorrer a lagoa de ponta a ponta em busca de areia mais limpa e da água mais transparente. Gosto muito da terra em si, das casas junto ao mar, mas a praia deixa muito a desejar. Talvez consequência dos muitos barcos que ano após ano vão atracando por ali…



 O tempo em que não estávamos a caminhar em direcção ao centro, estávamos a percorrer as estradas em duas rodas. Demasiadas subidas para a minha bicicleta de cidade, mas que teimei em levar por causa do cesto e já a pensar no transporte da máquina fotográfica ou eventualmente de um mini picnic. Quem se tramou foram as minhas pernas, mas à conta disso até vieram mais rijas! :D 



O segundo (ou terceiro) passeio de bike, foi uma verdadeira aventura. Decidimos ir até à Praia da Gralha e o coração quase me saltava pela boca, em determinadas subidas. Ainda arrisquei subir na bicicleta dele, bem mais leve, mas mesmo assim não foi nada fácil.  










 Está na hora de subir… E agora marido?? 
Bem que tentei captar a altitude na foto, mas está bem longe de corresponder à realidade! É uma subida e tanto, até ao topo da falésia e que o marido subiu de um fôlego, aliás, nem deve ter respirado. Levou uns 3 minutos a chegar lá acima, sempre a pedalar. Diz ele que em alguns momentos teve até a sensação de que ia cair para trás, tal a inclinação... Enquanto isso, fui eu subindo a pé e empurrando a minha. Que pena a máquina fotográfica não ser um drone para se deslocar sozinha e me captar lá do alto!...



Enquanto a autocaravana não passa de um sonho, a carrinha e um colchão também servem para estas almas itinerantes...
Na manhã de Quarta-feira quando abrimos a porta, tivemos na nossa frente já não uns chuviscos, mas quase um dilúvio. Cheguei a pensar que tinha dormido por uns meses e acordado em pleno Inverno. Os planos para percorrermos a pé o passadiço em madeira que vai de S. Martinho a Salir do Porto, sempre à beira mar e com uma vista fantástica, foram literalmente por água abaixo. Bem como as fotos que planeava tirar. Nada mais nos restava para fazer ali, pelo que fizemos check-out e fomos embora. Ainda pouco convencidos e numa derradeira tentativa de contrariar o S. Pedro, decidimos ir pela costa e aproveitar um pouco mais o passeio. Foz-do-Arelho e o tempo estava assim-assim. Peniche e de novo calor e só uns pingos de chuva de vez em quando.

Fomos conhecer o forte, onde outrora os presos políticos estiveram encarcerados e sujeitos a torturas, mas as celas estavam fechadas para visitas. Óptimo, assim (como diz o marido), não trouxemos as más energias.

Depois, num impulso e à laia de despedida, fomos pela ciclovia até à praia do Baleal. Onze quilómetros e meio mais tarde estávamos de volta à carrinha e prontos para regressar a casa, de energias renovadas e felizes!







Um brinde a nós, por, ao fim de mais de três décadas ainda continuarmos a olhar ambos na mesma direcção e a percorrer o mesmo caminho!  ;) 







11 de julho de 2017

Reciclar gangas...


Reciclar, aproveitar e reutilizar são palavras que fazem parte do meu dicionário e da minha vida. Tenho mesmo alguma dificuldade em deitar fora roupas que já não usamos. Algumas em melhor estado vão para os contentores que se encontram na via pública, para que alguém lhes dê uso, ou então vão directamente para um gabinete de apoio social, onde é aceite e depois distribuída por quem dela necessita e recorre ao dito apoio. Outras são guardadas e modificadas por mim.


Já há algum tempo que andava para vos trazer algumas ideias do que se pode fazer com calças velhas de ganga… 


Uns pneus usados e uma almofada e dá um belo puff!
 Estes foram para a tertúlia. 


Estes foram do nosso carro. Os tecidos, retalhos de calças de ganga que há muito deixaram de servir e ficaram guardadas à espera de uma bela ideia…

Depois dos rectângulos todos cosidos uns aos outros, para cada almofada cortei um círculo e duas metades de círculo. Nestas metades deixei uma margem maior para pregar um fecho a meio. É o lado que vai ficar para baixo. O passo seguinte é coser o fecho (ou zíper) e depois juntar ambas as partes de modo a ter uma almofada completa. Enche-se directamente ou então faz-se uma segunda almofada noutro tecido, mas que não precisa de abertura a meio e esta sim leva o enchimento. Assim, quando for para lavar, basta retirar a almofada exterior. 







O coração já era um remendo numas calças minhas, depois de sofrerem um rasgão. Personalizadas, viveram felizes mais uns tempos no meu guarda-roupa e puderam sair à rua todas airosas!

O que fazer a estas pernas, que um dia já foram calças e passaram a calções?


Com elas fiz um rolo, uma espécie de saco estreito aberto só numa das pontas e cheio de areia deu para isolar melhor a casa do frio exterior, no inverno. 


Com mais umas sobras, fiz também para a porta que separa o sótão do resto da casa. 




Como ainda sobrou um monte de pedaços de ganga, surgiu-me a ideia de fazer um toldo para o velho baloiço de jardim. 














Que com uma pintura nova ficou logo com outra cara! (usei a tinta que sobrou da hortinha das ervas aromáticas, aqui)
O assento, tínhamo-lo feito uns anos antes (eu e o marido), com cordel de nylon, porque as almofadas originais já eram e foi preciso substituí-las. Assim, não há chuva ou sol que o corrompa.  










As flores já foram de outro jardim, umas calças à boca-de-sino, moda que reapareceu no virar do século.
E aqui tudo se aproveita, tudo se valoriza.









A minha máquina velhinha, muitos pontos sem nó já ela deu. Muitos quilómetros de linha gasta. Muitas horas a dar ao pedal. A minha velha companheira, que com mais correia partida, ou mais ponto corrido, lá vai acompanhando o meu ritmo.

E dela surgiram umas tiras cortadas às ondas para completar a capota. Fiz-lhe uma orla com tecido xadrez que também já cá andava há uns tempos. Na tira da frente, fiz face dupla com esse mesmo tecido no lado interno, visível para quem se senta a descansar e a apreciar os encantos daquele recanto.  



Da oficina da maga,
           Com 1 xi-💙