31 de julho de 2015

Um cheirinho a Primavera...

Hoje ao regressar a casa após mais uns mimos à minha tendinite de estimação, com um sol envergonhado a esconder-se por trás de uma pequena nuvem branca e a temperatura bem inferior àquela que se tem feito sentir nos últimos tempos, tive a sensação que estávamos de novo na Primavera! Até este nosso amiguinho deu o ar da sua graça, agora já não tão pequenote assim… E se não era ele, seria um dos irmãos. A nossa pitangueira foi agraciada com um ninho, que ano após ano, os papás melros ocupam para dar continuidade à sua espécie. Este ano a criação superou as expectativas e saíram de lá duas belas ninhadas, nascidas e criadas, uma após a outra numa mesma Primavera.

Chegou o tempo do primeiro voo e para nossa surpresa, fomos encontrar um dos pequenitos no espaço mais zen do nosso quintal, a tertúlia, onde se deixou fotografar com direito a sessão de festinhas!




 


24 de julho de 2015

"Um Cofre Escancarado"




Chegou-me às mãos um livro muito especial, tão especial, que o ando a ler com todo o cuidado como se de uma peça rara se tratasse e tão delicada como a mais fina das porcelanas, que ao menor descuido se pode partir…

Tomei a ousadia de transcrever alguns trechos da obra, como uma pequena homenagem ao seu autor, pessoa conhecida das minhas relações. Trata-se de um senhor que nasceu sob as energias do Sol no signo de Touro, (tal como eu J ) e no penúltimo ano da 1ª República Portuguesa, o que dá umas boas nove décadas de muita sabedoria e um sem fim de memórias!

Como era habitual noutros tempos em certas alturas do ano, especialmente na época das vindimas, de outras regiões do país para terras do Ribatejo, vinham os ranchos a que denominavam de “as barroas”. Muitas eram mulheres ainda jovens e solteiras, pelo que, terminado o trabalho no campo, umas voltavam às suas terras e outras ficavam por cá…

Chegado o fim-de-semana, o rancho vem para casa. É esperado com ansiedade pelos homens do lagar, elas durante a semana treinavam em cantigas. Vêm mais queimadas do sol, talvez cansadas mas animadas. Entram no portão largo, desafiadoras, entre risos e galhofas, lançando…

Uma voz que se faz ouvir;

Oh parreira dá-me um cacho,
Oh cacho dá-me um baguinho,
Inda encontrarei o mê amor
Nos passos do mê caminho.

O Caixinha, que ficara de olho na rapariga, não se contém e lança:

Deitei o limão a correr
À beira de ti parou…
Quando o limão te quer bem
Que fará quem o deitou!

A visada responde de imediato:

Vai de roda, vai de roda,
Não ‘tejas com brincadeira
O mê par é guardador
Bota os pintos na capoeira.

Há palmas e assobios, mas o Caixinha reage com calma, suplicante:

Um favor te vou pedir
Amor, aperta-me a mão:
‘Inda espero de ser teu
Só que por ora, ‘inda não!
Mas a rapariga é rápida na resposta:

Já pisaste a uva branca
A uva tinta vais pisar;
Só a mim tu não pisas
Não sou uva p’ró teu lagar!

O Caixinha oscilou face à ‘estocada’. Todos vêem que o rapaz está a ficar ‘pelo beicinho’ com a moça… Reage, porém e numa espécie de apelo atira em voz doce:

Oh cachopa, oh meu carinho,
Oh anjo do meu altar:
Diz um ditado antigo
‘Quem desdenha, quer comprar’!

Antes que a rapariga tenha oportunidade de responder, o Zé Tomás ‘saca da gaita-de-beiços’ e sai-se com o som de um corridinho mexido.”…

E não é que a cachopa ficou mesmo com o Caixinha?! Juntaram os trapinhos e o rancho regressou sem ela! (conclusão tirada pela continuação da leitura)

Ante a Lei das Recordações, não se pode escamotear a verdade…
… nem apagar os erros – se os erros serão tropeços nos escolhos que a vida coloca nos caminhos do aprendizado de conhecimentos…
Sensato seria deixá-los na sombra do passado, como passado que é…
 … mas a mente sã alimenta-se de memórias!

Por tal, e porque as suas memórias pessoais só a ele pertencem, limito-me a transcrever para aqui, só algumas partes que considero que fazem parte das memórias colectivas…

A título de curiosidade, partilho com os meus leitores duas preciosidades de outros tempos:

- Chegou a existir um imposto sobre o uso do isqueiro em espaços públicos, pelo que, a falta do respectivo cartão para uso do dito cujo, dava direito a multa ou até a prisão na falta de pagamento.
Aos fumadores de hoje, quem diria hein??!! Muita gentinha hoje seria presa se essa lei ainda se mantivesse em vigor!

- Um outro dado que não posso deixar passar em branco, as portagens! Ainda nós reclamamos das que temos actualmente nas auto-estradas e das famosas scuts…

E não é que em tempos se cobrava portagem a quem passava a ponde D. Luís, à saída da mesma, do lado de Santarém?! Meio tostão era o que cada um pagava ao passar por lá e não era só de carro, acreditem, porque esses havia-os bem poucos.

Com uma mão cheia (ou as duas!), de cargos repartidos entre Repartições de Finanças pelo país fora, Tribunal e Ensino, ao que se soma ainda o de Director de um jornal regional, entre outras ocupações…Nascido em meio rural, onde o costume ficava-se por seguir as pisadas dos pais e de preferência servir de mão-de-obra gratuita ao sustento da família, não era qualquer um que fazia mais do que o ensino primário e muitas vezes nem isso! Falo-vos dos idos anos 30 e 40 do século passado. No caso deste ilustre senhor, valeu-lhe a sua enorme vontade de aprender e persistência. A par de tudo isto, desenvolveu ainda o gosto (se bem o entendi), pela escrita de literatura policial.

Pelo que é uma inspiração e um incentivo:

O trabalho é, de resto, o germe da condição humana: física, mental e moral. É no esforço do trabalho que o corpo se desenvolve e fortifica, a mente, aberta à capacidade de inteligência criadora, realiza-se e recria-se, testa e corrige o carácter e senso moral dessa condição.

Ainda mais que, fiquei a saber também, trabalhou numa terra que me enche o imaginário e as sensações! Óbidos! Terra dos meus encantos. Devo ter lá vivido numa outra encarnação! J

Ao autor, Sr. M.C., muito obrigada por nos escancarar o seu cofre das memórias. Para mim foi uma verdadeira viagem no tempo, a partir da qual irei ver com outros olhos as ruas da nossa pequena cidade e em especial a “rua da minha mãe” e a casa que agora é dela!




19 de julho de 2015

É biológico, é bom!



Descaso de uns, delícia de outros!...
Meia dúzia de pêras e outros tantos pêssegos nasceram nas duas pequenas árvores e criaram-se sem intervenção humana e sem intervenção de ninguém iriam cair de podres. Os frutos arredondados, de cor dourada com uma face rosada, pendiam convidativos sem que ninguém lhes ligasse. Os donos daqueles 500 m2 de terreno há muito deixado ao abandono, têm mais que fazer do que vir de propósito apanhar umas míseras pêras bichentas (vá lá que até estavam bem sãs!), e lá convenci o marido a pular a cerca! Ahahah

Que diferença fazem daquelas compradas no supermercado! Podem até estragar-se mais facilmente, caso a mosca as tenha picado, mas têm sabor a natureza a sério. Que pena que os produtos que nos chegam hoje às nossas mesas tenham que ser tão adulterados. Nos poucos metros de terra que ainda existem no meu quintal, tentamos a todo o custo praticar uma agricultura biológica, nem sempre fácil é certo, devido às pragas de pequenos bicharocos que gostam tanto de boa comida quanto nós!




15 de julho de 2015

Lua Nova de Caranguejo







Quando falamos em fases da Lua, vem-nos à memória o que diziam os nossos antepassados sobre a influência desta nas marés, na agricultura, nos nascimentos e até para cortar o cabelo.

No presente, temos uma “quase” Lua Nova em Caranguejo, encontrando-se esta subjugada pelo poder do Sol, tendo perdido o seu próprio poder e brilho, e à medida que se for afastando do astro-rei, vai aumentando a sua luminosidade.

No entanto, uma Lua nova é sempre uma boa fase para iniciar seja o que for, porque esta simboliza o renascimento. Com a Lua nova, inicia-se um novo ciclo. Nesta fase as nossas energias são renovadas e há a sensação de uma maior vontade de seguir em frente.

Tratando-se do signo de Caranguejo (Câncer no Brasil), esta Lua Nova tem um sentido ainda mais intensificado de nascimento de algo. É um signo muito maternal e criativo. É um bom momento para “dar à luz” alguma ideia ou projecto que se traz na mente ou nos apontamentos.

A Lua faz a sua aproximação exacta ao Sol no grau 23, ou seja, durante a próxima noite. Às 02h25 em Portugal ou nos países com o mesmo fuso horário, umas 4 horas mais cedo no Brasil e nos outros, é conforme a sua disposição em relação ao Meridiano de Greenwich.

Tudo o que se pretende iniciar numa Lua Nova, deve ser feito depois e não antes da passagem da Lua pelo Sol. Deve esperar-se que a ela passe aquele grau exacto (com minutos), onde se encontra o seu par.

Nos próximos dias ouse dar largas à sua imaginação ou aos seus projectos, sejam eles do plano emocional, ou mais prático e palpável. No entanto, o ideal é que venham para a luz do dia, ou do conhecimento público, depois da Lua sair do controlo do seu consorte, ou seja, a partir do momento em que deixam de estar em conjunção. Traduzindo para uma linguagem que todos entendam: depois de amanhã!



                                                                                                                     Ilustração by Adrian Borba 

11 de julho de 2015

Barbas de milho

Os pés de milho que nasceram em volta do galinheiro graças à esquisitice das nossas marias, que só gostam de milho partido, deram para regalo dos nossos olhos (e paladar!) umas bonitas maçarocas. Engalanadas por umas fartas cabeleiras que me fizeram viajar no tempo, ao tempo da minha meninice e ao tempo em que de pequenas coisas fazíamos grandes brincadeiras.

Era só atravessar a ribeira e do outro lado, mesmo à mão de semear, encontrava-se um vasto milharal que era por vezes, palco de salão de beleza e dos meus dotes de cabeleireira. Havia cabeleiras para todos os gostos, umas mais fartas e outras nem tanto. Lisas ou onduladas. Cores várias, umas ainda em tons de verde, outras loiras, ou então de uns bonitos acastanhados. Fazia uma trança aqui, um rabo-de-cavalo acolá e todo o campo ficava em festa sob o meu olhar encantado.  



Estas fizeram parte do nosso jantar de ontem, cozidas e a acompanhar um guisado.
Para a próxima vou experimentar fazê-las no forno. :)

(Nas casas de produtos naturais (ou ervanárias) vendem-se as barbas de milho para fazer chá para as infecções urinárias.)