25 de abril de 2014

25 de Abril sem cravos









Faz hoje 40 anos, nem mais nem menos, que eu, juntamente com mais uns quantos milhões de portugueses vivemos o dia mais estranhamente espetacular e inesquecível de sempre e que ficará para a história! Sendo eu uma miúda de aldeia, longe da capital e alheia a essas grandes movimentações políticas e militares, ficou-me desse dia não a memória do grande feito dos nossos heróis e dos cravos, mas quatro momentos posteriores, ou consequências desse dia e que marcaram grandemente a minha infância.

Regresso do meu tio Joaquim, combatente no ultramar, mais precisamente em Angola. Esse dia foi vivido com pompa e circunstância! Teve direito a excursão familiar rumo a lisboa, ao aeroporto militar onde eu, encavalitada no muro, do alto dos meus 8 anos, assisti a um dos momentos mais emocionantes da minha vida! No final, houve até piquenique num jardim qualquer da cidade, do qual só me resta a memória de uma toalha estendida na relva e muita comida espalhada por cima e muitos rostos emocionados e felizes à sua volta.

Mudança de casa e para o meu pai, de profissão. Com a ocupação das casas, terrenos e quintas dos mais abastados, também nós fomos atingidos. Foi um golpe duro. Não tínhamos casa própria e nem eramos ricos, e tudo o que o meu pai tinha conseguido amealhar com esforço e muito trabalho estava lá, gasto numas pilhas de troncos de madeira e em salários aos trabalhadores que a cortaram e amontoaram, no terreno do lavrador e pronta para ir para a fábrica. Depois da revolta vieram as ocupações desmedidas e sem controlo, onde a palavra liberdade foi distorcida e em que tudo se podia! O que não foi vendido ao desbarato foi destruído. A madeira foi incendiada. As fábricas fecharam. E o meu pai viu-se forçado a começar de novo, mais uma vez e desta feita, na agricultura. Mudamos de terra e de casa. Para mim foi uma aventura, uma aventura inesquecível numa quinta a perder de vista (aos meus olhos de então!), cheia de recantos e encantos por descobrir. Só tive pena de na mudança perder a minha boneca, a minha única boneca e modelo para os meus dotes de pequena costureira!

Eleições. Primeiras eleições livres. E sobretudo, uma grande vitória para as mulheres, que pela primeira vez, todas sem exceção tinham o direito ao voto. A minha mãe estava lá, e na fila ao lado dela estava eu. Foi um grande acontecimento!

Por último, mas não o último dos 4 acontecimentos em ordem cronológica, uma notícia de jornal! A notícia da minha vida. Foi pelos meus olhos que li as palavras lá escritas e a imagem que mostrava umas roupas de muitos anos, manchadas de sangue. Aquilo chocou-me e marcou-me. Os restos mortais de uma mulher morta durante o regime salazarista iam ser mudados para outro local. E na minha inocência perguntei-me a mim própria silenciosamente, se iriam passar com ela ali na nossa estrada, à nossa porta. Ansiei que assim fosse e eu a pudesse ver. Não passou! A estrada foi outra a muitos quilómetros de distância, mais para sul.
Mais tarde, já adulta e a trabalhar em Lisboa, deparei-me com o livro sobre essa minha heroína numa banca de livros usados, lá para os lados da Praça do Comércio. Veio comigo.
E, numa página de um livro astrobiográfico escrito a várias mãos muitos anos depois, lá está o meu tributo a essa grande mulher que marcou a minha infância e me ensinou (mesmo que indiretamente) o que é o 25 de Abril!






Imagem dos cravos tirada daqui

22 de abril de 2014

Sol em Touro






























Touro ainda é uma criança, pois só (re)nasceu há dois dias, mas tal como o animal que lhe dá o nome também o signo é uma força da natureza! Conhecido pela sua lentidão, custa a “arrancar”, mas quando o faz, não mais se desvia dos seus objetivos.  O elemento Terra torna-o prático e por pertencer ao meio da Estação, é estável e conservador. É o segundo signo zodiacal, aquele que dá continuidade aos assuntos nascidos dos impulsos do seu antecessor. O Carneiro remexeu a terra, que agora o Touro semeia com a sua paciência e determinação.

Há quem diga que é preguiçoso, mas ele é sim cauteloso e pachorrento. Para quê andar numa correria de loucos se no final tudo fica feito na mesma?! O que importa mesmo, é o bem-estar, seu e daqueles que ama. Tem um ombro sempre disponível para quem precisar de chorar e uma palavra de apoio para dar. Tempo é coisa que sempre arranja quando dele precisam. O Touro é de confiança e um bom ouvinte.

Foge ao máximo de brigas, mas não se atrevam a pisar-lhe os calos! Um touro enraivecido é pior que um furacão, leva tudo à frente! Mas se o souberem levar, é um bonacheirão! É o amigo do peito!


Créditos de ImagemArkadiusz Branicki

21 de abril de 2014

Intercâmbio Cultural


 Fim-de-semana passado com muita cor e alegria num intercâmbio cultural, entre portugueses e povos do sul da América. Desta feita foram os grupos das danças tradicionais do Brasil, Paraguai, Colômbia, portugueses emigrados em França e claro, como é óbvio, o rancho folclórico da casa. Paço do Negros foi palco do Festival Internacional de Folclore Cultura e Artes, que se realiza em vários pontos do concelho. Espetáculo de encher o olho, pelo menos a mim, que adoro toda aquela mistura exuberante de cores e movimento. Mesmo em tarde de chuva, não houve como não ficar com a alma em êxtase! E a festa continua…