6 de novembro de 2016

Em jeito de homenagem...

Imagem via Pinterest


“Primavera

Passou um Verão, passou um Inverno. E certa manhã de Abril, a Fada acordou ainda mais cedo do que o costume. Mal o primeiro raio de sol entrou na floresta, ela saiu de dentro do tronco do carvalho onde dormia. Respirou fundo os perfumes da madrugada e fez uns passos de dança. Depois penteou os cabelos com os dedos das mãos a fazerem de pente e lavou a cara com orvalho.

- Que manhã tão bonita! – disse ela. – Nunca vi uma manhã tão azul, tão verde, tão fresca e tão doirada.

E foi pela floresta fora dançando e dizendo bom-dia às coisas. Primeiro acordaram as árvores, depois os galos, depois os pássaros, depois as flores, depois os coelhos, depois os veados e as raposas. A seguir começaram a acordar os homens.”

Sofia de Melo Breyner  
(assim mesmo como surge escrito na pág. 102 do meu livro da 3ª classe impresso pela casa da moeda em 1973)



Em jeito de homenagem à poetisa e escritora. Sophia de Mello Breyner Andresen faria hoje 97 anos.


Porque escolhi este texto? Porque o acho lindo. Porque fala da Primavera, a minha estação preferida. E de fadas. E da natureza. E do respeito pelas árvores e pelos animais. E da beleza que existe nas pequenas coisas…

… e também, porque é um texto que faz parte do meu livro de Português da terceira classe. Com pena minha, é o único que guardo ainda desses 4 anos de ensino (mais a gramática da 2ª classe), e que me traz tantas memórias. Marca o fim de um ciclo e o início de outro. A mudança de casa, de escola, de amigos, de modo de vida…Foi a mudança de profissão do meu pai, consequência do pós-revolução. Nesse verão de 74 tudo mudou. E este livro, “Caminhos”, que provavelmente pertencia ao plano de leitura anterior, foi adquirido pelo meu pai antes de nos mudarmos. Já na nova escola, percebi que não era o mesmo que ali se usava, mas não houve problema. Aquela era uma época em que o peso dos livros não era tão grande e as crianças ainda tinham alguma liberdade (apesar de recém saídos do antigo regime), quanto ao material escolar. Muitas vezes a professora permitia-me que o levasse para a escola e dele lesse alguns textos.  




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