dezembro 29, 2022
A casa nova
novembro 05, 2022
Rescaldo da pandemia
A nossa
vida não deu uma volta de 180º, mas foi lá perto!...
O Amaro
reformou-se antecipadamente. Levou um bom corte, mas para quem já de si recebia
um ordenado tão pequeno, pouco importa. Outros ganhos vieram. Reorganizou a sua
carreira musical e ganhou mais tempo, descanso (com as obras, ainda adiado) e
paz de espírito. Reaprendeu a tocar teclas enquanto nos fechavam em casa.
Vendemos a
nossa casa de tantos anos. O sonho de uma vida, para enveredarmos por um sonho
ainda maior.
Simplificámos
e a vida passou a fazer ainda mais sentido.
Tornámo-nos avós.
Depois de
sucessivos adiamentos, vimos a nossa filha mais velha vestir-se de princesa e
vivemos todos um dia de sonho. Um dia de contos de fadas.
Mas sem pretensões
a Buda! 😀💜
setembro 13, 2022
O casamento
Faz hoje
um mês que casou a minha filha mais velha. A minha deusa grega. Bem sei que
Diana era uma deusa romana e Artémis sim, é a sua versão grega. Para mim vai
dar no mesmo e grega ou romana, a minha Diana estava uma princesa. Ela é uma
princesa. Estava linda, linda, no dia que escolheu para se tornar numa senhora
casada. Sou uma mãe e avó embevecida com a sua prole.
O grande
dia demorou a chegar, mas no momento H passou num ápice. Desde 2020 a adiar. Como
diz o ditado, à terceira é de vez. E foi! Já aconteceu e hoje à distância de 1
mês, sinto que passou depressa demais e ocupada como estava a viver o momento e
a cuidar da minha pequenina esqueci-me de fotografar tantos pormenores que
queria.
No cartão
da minha máquina encontrei uma única foto onde apareço, meio que desfocada,
para dar lugar à mesa no primeiro plano. É o que há. Entre as do fotógrafo
arranja-se mais alguma, mas isso fica para uma outra publicação. Isto vai por
episódios! ;)
Foram dias
muito ocupados, tivessem 48 horas e ainda eram poucas. As lembranças ficaram
por nossa conta e obra (eu e a noiva), mas lá está, com a pressa ficaram a
faltar as fotos para colocar aqui. Apenas há um vislumbre das mesmas em cima da
minha mesa. Saquinhos de alfazema, bases para copos em madeira trabalhada
também por nós. E colheres íman. Para as crianças, polvos em tons lilás, feitos
pela Diana. Tudo a condizer com o tema, ou temas. Em 3 anos algumas ideias
mantiveram-se e outras sofreram alterações. Faz parte. É assim a vida, sempre em
constante mutação. O mesmo aconteceu com a placa de boas vindas que pintei com
tanto carinho, nem uma única foto no meu cartão. A ver se tenho mais sorte com
as do fotógrafo, que ainda só vi por alto.
Os centros
de mesa fomos decorá-los à véspera à quinta. Simples, mas elegantes. Criativos
também. Garrafas com água e um raminho lá dentro, cortados à minha artemísia.
Valeram as garrafas aqui da adega de Almeirim, que o pessoal da casa foi
esvaziando e eu guardando. Frascos de produtos vários, onde colocámos umas
singelas flores. Os botões de rosa (e as pétalas à porta da igreja), vieram da
nossa futura casa que andei a cuidar e regar com todo o carinho e atenção ao
longo do verão. Agradeceram-me florindo o quanto precisava. Sou grata à
natureza por esta oferta. Ingredientes especiais para identificar os convidados
e em cada mesa uma receita da Diana ou do João. Na minha mesa o ingrediente
especial foi a salsa, por acaso ou com intenção, só a Diana saberá. Que é algo
que, diz ela, a leva de volta à infância e ao nosso quintal, é um facto.
setembro 01, 2022
Quem sai aos seus...
Tal avô, tal neta.
Dêem-lhe música e ela fica feliz. Há uns meses descobriu a viola pequenina
(cavaquinho) no alto de um móvel e não descansou enquanto o avô não lha deu. E
ele, não resistiu à insistência da sua menina. Volta e meia e é isto. Corda
para as mãos da menina do seu avô. Ou teclas. E ela vibra. E faz coro com ele.
Estes “cinco tostões de gente” enchem a casa, o nosso coração e o orgulho
(já sem falar no tempo). E toda ela é música. Quando sai connosco, no banco do
meio da carrinha, vai e volta a cantar.
Ela toca. Ela canta. Ela dança. Ela faz de bateria qualquer superfície que
encontre enquanto trauteia uma música que lhe tenha ficado no ouvido.
Esta é a menina do seu avô.
Ps.
Estas fotos já têm 3 meses e o texto quase outro tanto mas continua sempre
actual, mesmo que a menina do seu avô, no mês de Agosto tenha estado muito
menos tempo connosco.
![]() |
| Aqui, estava ela a cantar. |
julho 31, 2022
Empoderamento feminino - a despedida de solteira
Foram os
anões strippers. Foi a subida ao inferno e a tempestade das areias do deserto.
E os desportos radicais. E o espírito da floresta. Só que não…
Foi uma
despedida de solteira bem zen!
Mas a
imaginação e as boas energias estiveram em alta. A caminhada que era para ser,
não foi, mas ainda bem porque o piso não estava para essas coisas. Bastou-nos o
pó que engolimos de e para o carro e a lama no para-brisas. A natureza tem
tanto de fantástica como de traiçoeira (muitas vezes pela mão do ser humano,
como é óbvio). E ali naquele cantinho encantado, as árvores falam connosco. A
mãe natureza acolhe-nos no seu ventre. A descida até à cascata fez-me sentir
isso mesmo, a ida ao ventre da mãe.
Começámos por
uma aula de ioga conduzida pela noiva, que terminou com uma ida ao futuro no
relaxamento. Um círculo de nove mulheres. O número não foi propositado, mas
calhou assim. Haverá número mais esotérico que este?! O ritual que se seguiu
levou a noiva numa travessia para a outra margem, para plantar a semente do
amor e de uma nova vida. Não é que ela não saiba já como é, mas que foi bonito
foi. E o simbolismo de todo e qualquer ritual tem sempre impacto. Nove mulheres
em comunhão com a natureza e umas com as outras. Não faltaram as fotos da
praxe, que aquele pedaço de paraíso quase virgem apela a isso. Houve a entrega
de pequenos objetos para dar sorte e o meu, pintado à véspera com o pouco que
ainda resta nesta casa, teve até o traço da pequena Benedita. Não há registos
fotográficos da obra mas foi feito com amor e carinho, para que as pedras que a
minha menina encontrar na sua caminhada se transformem em flores.
Por fim,
estas almas famintas e sedentas de comida e bebida, tiveram direito ao seu
picnic.
Para quem
ficou, a festa continuou até ao entardecer. Para quem subiu a falésia mais
cedo, arrependeu-se.
Lá em
baixo o paraíso. Cá em cima o inferno! Enquanto uma de nós ficou para trás a
abraçar as árvores, as outras pareciam sardinhas a assar na brasa (como diz uma
das meninas minha companheira de viagem). E a chave do carro que tinha ficado
para trás. E a poeira abrasadora que nos queria engolir. E as sombras que não
existiam. E o carro que ficou a aquecer ao sol. Cinquenta graus no mínimo.
Nunca um aparelho de ar condicionado foi tão desejado e levou tanto tempo para
funcionar. Já no fim da estrada de terra. E eu que abria e fechava a janela
numa tentativa vã de não sufocar, enquanto pelo canto do olho ia verificando se
as do banco traseiro ainda respiravam. Ainda bem que a minha querida condutora
não perdeu o sangue frio e nos tirou dali, sem nos mandar pela ribanceira
abaixo.
novembro 08, 2021
Vender ou não vender?
Há um ano
parou tudo. Os meus projectos para a casa pararam. As pinturas nas paredes
(bonecadas para alguns) pararam. Com a pandemia, a principal fonte de
rendimento familiar parou. Quando tudo flui, a vida fica facilitada, mas são as
dificuldades que aguçam o engenho (já diz o ditado) e o mundo avança. E mesmo
confinados, o nosso mundo alargou horizontes. Começámos a sonhar com outras
paragens, com outra casa. Menos casa e mais terra, que esta começa a ser grande
demais para dois, mas gostamos de hortas. A princípio custou-me, tinha tantos
sonhos para estas paredes. Depois a ideia entranhou-se e durante um ano fui,
mentalmente, vestindo outras paredes e transformando em lar outras casas que
fomos vendo. A vida também se faz de mudanças e confesso que já me via noutra
casa, a desenhar novos sonhos e uma vida nova para nós. Durante este último ano
tenho vivido com um pé fora daqui. Têm vindo possíveis compradores e todos
gostam do que encontram. Tecem elogios. Alguns já cá ficavam, dizem. Mas, por
diversos motivos, nenhum ficou. O negócio não se fez até agora. E nós demos a
volta por cima. Tudo se encaminhou. Mas, esta pandemia veio para mudar
mentalidades e ninguém sai dela igual a antes. Dizíamos de um para o outro que
era um caminho sem volta e íamos levar até ao fim este novo projecto de vida.
Mudar de casa.
No Sábado,
sem mais nem menos, num momento a dois na varanda a apreciar as vistas, demos
por nós a fazer planos para a casa que queremos vender. Para a casa que já é
menos nossa, porque o coração começou a praticar o desapego há um ano atrás.
Logo agora, que temos uns possíveis interessados, mais interessados e a coisa
até se pode dar… Fazer o quê?
Vender
ou não vender, eis a questão!
Como
acredito nas energias e que nada acontece por acaso, vou entregar aos deuses e
deixar que o tempo traga as respostas. Mas Tempo, não te estiques! O fim do ano
será o limite. O que tiver que ser, será. 🙏
outubro 27, 2021
Os meus "cadilhos"
Dizia-se
noutros tempos que filhos são cadilhos. Como aqueles xailes que se colocavam em
torno dos ombros ou à cintura, como adorno e forma de agasalho. Que envolviam
os corpos em jeito de abraço aconchegante e os cadilhos pendem e se prendem em
nós difíceis de desatar. Filhos são tudo isso. São cadilhos que se penduram em
nós. Que nos envolvem. Que nos abraçam. São uma extensão de nós.
Domingo
foi dia de televisão. Foi mais um dia de dança para a minha bela Helena. E foi
dia da família, em forma de excursão, assistir ao vivo. As tardes de Domingo,
ou de alguns, são minhas e dela. Ela dá o corpo ao manifesto, quer dizer, ao
palco e às Câmaras e eu cá à distância, colada ao ecrã (não da tv mas do
computador), vibro pela minha menina. Coisas de mãe. Por mais que os filhos
cresçam e ganhem asas, são sempre nossos.
A festa
fez-se relativamente perto daqui, na bonita e enigmática vila de Constância,
onde, dizem, Camões chegou a ter residência.
























































