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março 17, 2020

O Mundo é a nossa casa









Amanhã quando acordares abre bem os olhos e olha bem para tudo.
Ver com atenção é ver tudo como se fosse pela primeira vez.
Ver com atenção é espantar-se de as cores serem como as vemos
sabendo que poderiam ser diferentes e com certeza melhores.
Ver com atenção é também aprender o que querem dizer as coisas.


- ed. da Comissão Nacional do Ambiente –
(do livro de português Nascer2, do 2º ano do ciclo preparatório – edição de 1977)


Que esta limitação da liberdade e a falta de alguns bens e hábitos aos quais estávamos habituados, nos sirvam para dar mais valor às pequenas coisas da vida. É ver para lá do supérfluo. É ver com o coração.



junho 10, 2018

Dia de Portugal e de Camões






Neste dia dedicado a Portugal, às Comunidades Portuguesas e a Camões, nada mais adequado do que as palavras do poeta para homenagear os nossos antepassados e a língua que falamos e que está tão espalhada por este mundo fora.

Não foi ao acaso que escolhi este soneto, todo ele dedicado às deusas do Olimpo. E não é por acaso que as minhas filhas se chamam Diana e Helena. A mitologia sempre despertou em mim um enorme fascínio. A própria Astrologia tem uma ligação estreita com esse mundo fantástico e na sua base estão os 4 elementos enumerados por Camões. Ar, Fogo, Terra e Água.


A Vós Seu Resplendor Deu Sol e Lua

Pelos raros extremos que mostrou

Em sábia Palas, Vénus em formosa,
Diana em casta, Juno em animosa,
África, Europa e Ásia as adorou.

Aquele saber grande que juntou
Espírito e corpo em liga generosa,
Esta mundana máquina lustrosa
De só quatro elementos fabricou.

Mas fez maior milagre a natureza
Em vós, Senhoras, pondo em cada uma
O que por todas quatro repartiu.

A vós seu resplendor deu Sol e Lua:
A vós com viva luz, graça e pureza,
Ar, Fogo, Terra e Água vos serviu. 



- Luís Vaz de Camões, in "Sonetos" -


Feliz dia de Portugal, para todos os portugueses de sangue, ou de coração e para todos aqueles que fazem deste rectângulo a sua terra, mesmo que só de passagem!

                                                                         Fonte da imagem: Pinterest

março 02, 2018

O meu campo de açafrão



Não tenho por hábito falar aqui sobre os livros que leio, mas este último levou-me numa viagem incrível por paisagens exóticas e pelos meandros dos sentidos e das emoções, o que fez com que ainda me encontre numa espécie de transe. Ehehehe
Inicialmente achei-o mesmo um pouco chatinho, pelo que levei dias a passar das primeiras páginas. Havia ali umas repetições e tempos verbais a causar-me alergia… Depois, à medida que percorria as vielas labirínticas do enredo, entreguei-me por completo à leitura. Fiquei viciada, é o que é! E quanto mais avançava na história, mais fundo ia dentro de mim mesma…  

Todos nós, algum dia, acabamos por encontrar o nosso campo de açafrão, ou seja, o sentido para a nossa vida ou a motivação para seguirmos em frente neste plano existencial. Se bem que, fazer planos para o futuro seja algo ilusório, porque tanto como se fazem também se desfazem, dependendo das encruzilhadas com que nos deparamos.

E eu encontrei o meu ao escolher um caminho mais místico, um caminho sem volta. Ou talvez ele já estivesse impregnado no meu ADN, ou trazido das muitas vidas que a minha alma carregou antes de escolher este corpo. Pode bem ser uma herança que só descobri ao fazer esta viagem mais ou menos solitária, ao interior de mim mesma. O certo, é que hoje olho para a vida de uma forma bem diferente e plena. Devo concluir, que encontrei a paz de espírito e ao mesmo tempo a pedra filosofal e o meu campo de açafrão repleto de sensações e de cores mágicas!...

(Antes que me perguntem, o livro a que me refiro chama-se “O feitiço de Marraquexe” de Rosanna Ley)

                                                    
                                                                                         Imagem daqui


outubro 29, 2017

Esta noite mudou a hora

Hoje devo ter acordado do outro lado do espelho da Alice, porque nos relógios cá de casa marcavam sempre as nove horas. Por mais voltas que eu desse à sala e voltasse a olhar lá estava o ponteiro no 9, ou no IX, dependendo para qual relógio eu estava a olhar.

O marido que tinha de sair de casa às 09h30, acordou meia hora antes e começou a despachar-se. Entre espreguiçadelas e o aconchegar mais o lençol a mim, vi-o olhar para o relógio de pulso e responder-me que eram 9 horas. – “Ainda é cedo! –pensei” e voltei a dormir mais um sono. Até que acordei com os latidos da Milka do lado de fora do quarto da dona a pedir para entrar. O marido, nem sinais dele. Já tinha ido à sua vida.

Perdida no tempo, levantei-me e desci as escadas à procura de um relógio. Nove horas em ponto, lá estava em todos os quatro pregados nas paredes. Ainda?
No computador: 9 horas. Telemóvel: 9 horas.

A manhã decorreu devagar, mas não correspondia ao meu relógio interno…

A sensação até que nem é má…Ver o tempo a passar como num filme em câmara lenta.

Senhores do tempo, podem andar com o tempo para trás mais vezes?!

Lá está, esta noite mudou a hora, mas o relógio de pulso do marido continuou a girar no mesmo sentido ininterruptamente. Enquanto lá em baixo, na sala, a filha rodou os ponteiros dos relógios todos (e são 4), quando entrou em casa depois de um serão de noite das bruxas antecipada e antes de se meter na cama.  

Agora que acertei o passo com o tempo e os relógios batem todos a compasso, procuro não perder mais tempo, que ele é precioso! (a pôr uns trabalhos em dia)

ps. (para quem não é de Portugal talvez não saiba, mas aqui a hora muda duas vezes por ano. Neste fim-de-semana ganhámos mais 1hora e por isso, quando eram 2h da manhã, passou a ser 1hora. Este é o nosso horário de Inverno. No horário de verão fazem o inverso, retiram-nos 1 hora). 



                                                                                    Imagens fonte: Pinterest

novembro 06, 2016

Em jeito de homenagem...

Imagem via Pinterest


“Primavera

Passou um Verão, passou um Inverno. E certa manhã de Abril, a Fada acordou ainda mais cedo do que o costume. Mal o primeiro raio de sol entrou na floresta, ela saiu de dentro do tronco do carvalho onde dormia. Respirou fundo os perfumes da madrugada e fez uns passos de dança. Depois penteou os cabelos com os dedos das mãos a fazerem de pente e lavou a cara com orvalho.

- Que manhã tão bonita! – disse ela. – Nunca vi uma manhã tão azul, tão verde, tão fresca e tão doirada.

E foi pela floresta fora dançando e dizendo bom-dia às coisas. Primeiro acordaram as árvores, depois os galos, depois os pássaros, depois as flores, depois os coelhos, depois os veados e as raposas. A seguir começaram a acordar os homens.”

Sofia de Melo Breyner  
(assim mesmo como surge escrito na pág. 102 do meu livro da 3ª classe impresso pela casa da moeda em 1973)



Em jeito de homenagem à poetisa e escritora. Sophia de Mello Breyner Andresen faria hoje 97 anos.


Porque escolhi este texto? Porque o acho lindo. Porque fala da Primavera, a minha estação preferida. E de fadas. E da natureza. E do respeito pelas árvores e pelos animais. E da beleza que existe nas pequenas coisas…

… e também, porque é um texto que faz parte do meu livro de Português da terceira classe. Com pena minha, é o único que guardo ainda desses 4 anos de ensino (mais a gramática da 2ª classe), e que me traz tantas memórias. Marca o fim de um ciclo e o início de outro. A mudança de casa, de escola, de amigos, de modo de vida…Foi a mudança de profissão do meu pai, consequência do pós-revolução. Nesse verão de 74 tudo mudou. E este livro, “Caminhos”, que provavelmente pertencia ao plano de leitura anterior, foi adquirido pelo meu pai antes de nos mudarmos. Já na nova escola, percebi que não era o mesmo que ali se usava, mas não houve problema. Aquela era uma época em que o peso dos livros não era tão grande e as crianças ainda tinham alguma liberdade (apesar de recém saídos do antigo regime), quanto ao material escolar. Muitas vezes a professora permitia-me que o levasse para a escola e dele lesse alguns textos.  




agosto 15, 2016

Até que o amor me mate

“…A barba cor de fogo e o estilo peralta e galante prenderam-me a atenção. Marquei-o mas, simulando recato, baixei os olhos. Ainda que, por uso, um mero vislumbre de olhos meus seja flecha no alvo, não cuidava que um desvio de olhar fosse também dar armas de vantagem ao amor.”…

Ai Camões, Camões, com que então punhas o mulherio todo doido com a tua presença! J

Em 1500 ou 2016, as artes da conquista não diferem muito!...

Por um acaso, e depois de um bom tempo sem ler livros em formato impresso, este foi o livro que hoje, a minha filha me emprestou para ler fora de casa enquanto acompanho o marido em trabalho…Ainda vou no início da leitura, mas esta promete. Ao longo das muitas páginas, conto desvendar alguns dos muitos amores do poeta, pela mão da muito conhecida Maria João Lopo de Carvalho.

Por coincidência (acredito mais em sinais do universo), o tema do casamento de hoje é a literatura. Tenho muita leitura para pôr em dia, ai tenho!           

Desejo sinceramente, que os noivinhos de hoje continuem a morrer de amores um pelo outro pela vida fora!...                    
De um bom gosto e elegância são eles, a ter em conta a decoração escolhida para o salão de festas!