A saga do
jardim das fadas continua. Enquanto houver vontade, enquanto houver onde e
enquanto houver sonhos, as flores continuam a crescer no meu jardim. É um sonho
que vai ganhando forma lentamente, ao ritmo da sombra que vai e volta. Do tempo
que vou ganhando em cada manhã ao sol célere que teima em vir cada vez mais
cedo. E em se pôr cada vez mais tarde. Ou em aquecer cada vez mais a minha tela
cada vez menos em branco. Outros detalhes esperam a sua vez de serem colocados
no lugar. Ou de serem produzidos… Enquanto isso, a selva cresce a olhos vistos.
As pedras mudam de lugar (desconfio que as fadas já andam por aqui) … As nossas
patudas fazem das suas. E eu limpo, lavo, corto uns ramos. Pinto. E torno a
limpar e a olhar para as pedras que esperam a sua vez. E preparo mais cores.
julho 01, 2019
junho 21, 2019
Solstício de Verão
Com muito
ou pouco sol temos o Verão a chegar e a minha forma de receber e festejar o
Solstício é pintando um colorido jardim na parede exterior do anexo da casa. Da
minha oficina. À falta da presença da fotógrafa de serviço, cá vai uma selfie
para registar o momento e o andamento dos trabalhos que vão continuar, mesmo
com algumas pausas pelo meio. Por mim todo o tempo disponível seria para as
tintas e pincéis, mas não me deixam. Ehehehe
Isto já é vício,
mas um vício saudável que me faz tão bem à mente e à alma. Além de embelezar é terapêutico.
Sendo eu uma filha da Primavera e a Maria das cores, o meu cantinho inspirador
só podia ser um jardim multicor. Muitas mais paredes aguardam-me. Há lá tela
melhor que as paredes da nossa própria casa!
Bem-vindo
Verão (mas por mim podes ficar sempre assim, ameno!)
Por
curiosidade, Caranguejo, o signo que marca o início do Verão, entra agora às 16h55. Parabéns para todos os nativos de Caranguejo! (Câncer para os nossos
irmãos brasileiros).
junho 15, 2019
Sou uma mãe "babada"...
A minha
menina. A minha Helena de Tróia.
Como
sempre, cá estive eu mais uma vez plantada em frente à tv para a ver
dançar…
Este é um
tema um pouco off-tópico, porque não trago nem as minhas artes manuais e nem as
artes esotéricas, mas trago uma das minhas maiores obras. A minha filha. A mais
nova das minhas duas princesas. Não nasceram em berço de ouro e nem usam coroa,
mas são duas mulheres e tanto!
Hoje a
festa foi a muitos quilómetros daqui, no norte do país, para um dos canais da
tv portuguesa. E eu como fã número 1 ia lá perder tal coisa. Só tu,
filha, para me fazeres ligar a televisão! 😃
Dizem que
quem corre por gosto não cansa, mas cansa sim. Só que é uma estafa feliz que
empresta um brilho especial ao olhar e dá alento à vida. Já dizia o poeta que é
o sonho que comanda a vida e digo eu que uma vida sem sonhos não tem encanto. E
aquele que consegue transformar os sonhos em objectivos e estes em
concretizações, é um sortudo!
Não é por acaso que a minha Helena nasceu no dia
da dança!
💙
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Sonhos
maio 17, 2019
A vida é feita de escolhas
Este é um
móvel, mas não um móvel qualquer. Podia ter escolhido a via mais fácil e usá-lo
tal como estava, colocado num canto qualquer nos fundos da casa, para guardar
ferramentas. Escolhi dar-lhe uma nova cara, uma nova cor e uma nova vida.
Foi-nos dado por uma colega do marido (bem sabem que gosto de aproveitar estas
coisas…) e eu escolhi dedicar-me a ele de alma e coração.
Durante o
processo de recuperação, nem tudo foram rosas e a uma dada altura houve até uma
pontinha de desapontamento, mas depois de quatro camadas de tinta (que afinal
se revelou lindíssima), algumas alterações à ideia inicial e outras tantas
aplicações, ficou uma bonita peça decorativa e única.
Agora, os
meus olhos enchem-se de orgulho sempre que passo pelo móvel das bebidas! J
Mas antes
de chegar ao que é agora, houve todo um longo processo de restauro. Vinha com aqueles
furinhos típicos do caruncho e mesmo não gostando eu nada de usar venenos,
neste caso é mesmo necessário, se não queremos ver a mobília reduzida a pó. No
segundo passo tive a ajuda do marido. Usámos as paletes que tínhamos tirado da
cerca da horta e fizemos um tampo de reforço, que ele pregou por cima do
original e pode ser visto aqui. Reforçou também os pés traseiros com uns pedaços
de madeira, porque além de serem frágeis, um deles estava comido pelo bicho da
madeira. As
paletes revelaram-se muitos úteis e com elas fizemos ainda uns apoios para as
garrafas, que pregámos na parte inferior do móvel.
Lixar.
Pintar com primário. Pintar de vermelho. Sentir a frustração de não ser bem
aquilo. Reformular a ideia. Pintar mais e mais de vermelho até obter uma cor
uniforme. Pintar por cima com branco a “parede” do fundo. Pintar de branco o
interior e a frente das gavetas. Pintar o tampo de branco. Lixar.
E chegou a
hora que me fez dar pulinhos de contente. Experimentar fazer decoupage, que não é nada mais e nada
menos que colar pedaços de papel. Usei guardanapos próprios para o efeito que,
felizmente, encontrei à venda em dois pontos aqui da cidade. Numa livraria e
numa loja de produtos para artes e que se vendem avulso.
Para o
tampo, rasguei com as mãos pedaços do guardanapo à volta dos motivos florais
para dar um aspecto mais natural. Nas prateleiras as folhas foram usadas
inteiras. Cada guardanapo tem 3 películas. Retiram-se duas delas e só se cola a
exterior e que tem os desenhos. É tão fina que fica transparente depois de
colada, o que dá para ver no tampo (o fundo dos desenhos também é branco tal
como a tinta usada).
Usei cola
branca que apliquei com um pincel fino. A cola é aplicada na superfície (neste
caso a madeira), aplica-se o papel e alisa-se bem de modo a não deixar bolhas. Depois leva mais uma camada de cola por cima.
O segredo para
uma aplicação perfeita, está em usar um plástico por cima para alisar o papel. Se
usar as mãos, já era!
Por fim, e
depois de deixar secar de um dia para o outro, lixei. Queria dar um ar mais
natural e vintage, pelo que o desgaste com a lixa teve esse efeito. Parece até
que é pintura.
Por
último, foi a finalização do tampo pintando (a pincel), a grinalda a preto e a
frase. Lixei algumas zonas estratégicas do móvel para dar aquele ar de desgaste.
Com direito a assinatura de autor! 💙
maio 08, 2019
Como enfrentar a frustração e dar a volta por cima
Este é o
móvel em processo de acabamento e aquele vermelho cor de vinho tinto,
lindíssimo (só na minha cabeça) e que se adivinhava no rótulo la lata de tinta,
revelou-se afinal uma desilusão. Por agora! É que eu não sou mulher de baixar
os braços e desistir.
Reacção
do marido: depois de olhar uns
looongos segundos (ou seriam minutos?) em silêncio para a minha obra-prima,
saiu-se com esta : - “ Podes dar uma camada de amarelo por cima e lixar até
se ver um pouco do vermelho…”
Só podia
estar mesmo muito mau!
Reacção
da filha mais velha: Com aquele
olhar que não engana: -“Estava a gostar tanto do branco, mesmo com as
partes mais escuras … (por escuras, entenda-se desgaste na camada de primário
já lixado e pronto para receber a tinta). Mas o vermelho também vai ficar
bonito depois de levar outra camada. Eu é que gosto de brancos…”
Olha,
também eu filha! Também eu gosto de pinturas branquinhas, mas a continuar nos
brancos deixava de ser a “Maria das cores”!
Desta vez
quis sair da zona de conforto e arrisquei. Arrisquei tanto que ou aquilo muda
ou eu fico aqui com uma aberração, caso insista em manter aquele
vermelho-que-era-para-ser-uma-coisa-lindíssima-glamorosa-e-mais-parece-um-vomitado-depois-de-uns-copos-de-tinto-a-mais.
“Toura”
que se preze não desiste à primeira e nem à segunda (e espero eu que nem em
demão nenhuma, porque era sinal que teria de recomeçar tudo de novo, com a
agravante de ter de arrancar aquela porcaria toda…)
A ver
vamos… (que a minha cabeça já anda cá a ter umas ideias para arrematar o dito
cujo). ;)
maio 07, 2019
O aniversário aqui da maga...
Da vontade
de me meter à estrada sem planos e nem destino, acabei a festejar o aniversário
a dois à beira mar, que é um porto sempre seguro para a minha alma. Por
coincidência (ou nem por isso, que eu cá acredito mais em sinais), era dia dos
homens do mar, pelo que fomos recebidos com pompa e circunstância com direito a
desfile e buzinadelas dos barcos engalanados. Foi dia de festa para todos.
E que bem
que me soube a caminhada pela areia, mesmo levando um baptismo de água salgada ténis adentro. Vim de lá com as energias lavadas e renovadas.
O (meu) dia
terminou com uma pequena celebração entre a família residente, nada programada,
mas que no final encaixou perfeitamente. Há celebrações a dobrar que vêm mesmo a
calhar e esta foi uma delas.
(Para
quem não queria bolo… Não só soprei as velas, como ainda dei por mim a formular
o desejo da praxe debaixo da mesa)
E o
champanhe guardado há séculos por descuido, fez pendant com o mini-bolinho trazido pela filhota. Vá lá que ainda
borbulhava!
Não posso
terminar sem escrever sobre o meu sonho da noite anterior ao aniversário, uma daquelas
coincidências que são tudo menos acasos e que nos deixam a pensar.
Sonhei que
fazia anos. Ia numa rua qualquer e ao passar a uma porta recuei e entrei.
Talvez fosse a minha casa. A minha irmã (que tinha vindo cá) e as minhas duas
filhas prepararam-me uma surpresa. E que surpresa! Havia flores. Um rasto de
flores desde a entrada até à outra ponta da sala. No chão uma fileira de
cabeças de flores coloridas, umas com pé, outras cortadas rente, mas de muitas
espécies diferentes. Não resisti e segui o caminho de flores até junto da mesa.
Em cima desta estava um envelope grande que não cheguei a abrir porque acordei.
O que será que continha?
De manhã,
desci as escadas e sorri ao ver a caneca com o ramo de flores em cima da mesa…
Não era um caminho de flores e nem sequer estavam no chão, mas existiam. Tinham sido as minhas
filhas enquanto eu dormia…
Querem saber
o que tinha dentro do envelope?
Um dia
talvez vos conte…
É que
afinal havia mesmo um envelope, apenas bem mais pequenino e cor-de-rosa,
surpresa das filhotas.
💗
ps. as fotos do carro e na praia foram tiradas com telemóvel ( como escrevi acima, fui sem planos e sem rotas, pelo que a máquina fotográfica com que fotografo habitualmente ficou em casa).
abril 20, 2019
A Sexta-feira Santa na oficina
A tarde de
ontem foi passada na oficina a dar andamento a uma velharia e a produzir uma
pequena porta para o jardim das fadas. Arrastei o marido comigo, é que há
coisas que ainda não arrisco e uma delas é a usar a serra eléctrica. E
convenhamos que trabalhar com companhia é outra história! E duas cabeças pensam
mais que uma.
Trabalhar
numa Sexta-feira Santa? Os meus antepassados devem andar às voltas lá onde se
encontram, incrédulos com tamanha imprudência. No tempo deles, (nas zonas
rurais pelo menos), os meios dias santos eram sagrados. Faziam tudo o que havia
a fazer na manhã de Quinta e depois do meio-dia já ninguém mexia uma palha.
Jejuava-se (ou pelos menos não se comia carne). As mulheres sentavam-se no lado
de fora das casas com as suas orações. Os homens não faço ideia. Havia um
enorme temor pelo castigo divino. De geração em geração transmitiam-se estas
tradições e algumas lendas sobre quem desrespeitou o “Senhor”, como o caso de
certa mulher que foi caiar a casa e na parede escorreu sangue. Dizem (ou
diziam) que era o sangue de Cristo. Sexta à tarde a vida voltava à normalidade
(ufa, estou safa!).
Por
conveniência juntaram-se os dois meios-dias santos num só e passámos a ter o
feriado num dia inteiro. Fazia lá algum sentido ir trabalhar só meio dia ali
pelo meio quando se pode ter um fim-de-semana prolongado! ;)
Aqui tudo
se aproveita. As paletes da vedação da horta serviram para fazer um tampo
reforço do móvel (depois conto-vos a sua história e para que vai servir) e para
fazer a portinha das fadas.
A minha
criança interior gosta tanto destas coisas. Na porta estão as memórias e a energia da minha infância, naquele puxador que foi parafuso de um banco da carrinha de
caixa aberta do meu pai, onde ele transportava os trabalhadores. Hoje as ripas
de madeira são outras, mas os pés do banco ainda cá moram e fazem parte do meu
jardim.
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