novembro 29, 2016

A princesa "grão de ervilha"...


"Certo príncipe, por mais que procurasse, não encontrava esposa adequada entre as muitas princesas do mundo. Porém, numa certa noite de tempestade, uma moça foi bater à porta do palácio para pedir abrigo. Disse que era filha de um rei. Em vista disso, a rainha-mãe quis preparar-lhe a cama com as suas próprias mãos e colocou debaixo dos vinte colchões e das vinte almofadas onde a princesa deveria deitar-se, um pequeno grão de ervilha.
Na manhã seguinte, a rainha-mãe entrou no aposento da jovem e perguntou-lhe como tinha passado a noite.

-Oh, Majestade! exclamou a princesa. Não consegui dormir a noite inteira, porque, na cama, havia alguma coisa dura que me incomodava horrivelmente.

Ao ouvir isto, a rainha-mãe abraçou a princesa, comovida e contente por ter, enfim, encontrado uma esposa digna do príncipe, seu filho. E, realmente, nenhuma outra princesa, por mais delicada e sensível que fosse, teria podido perceber aquele grãozinho de ervilha colocado debaixo de tantos colchões e almofadas. O casamento celebrou-se dias depois, com muitos festejos."

A princesa e a Ervilha,
Hans Christian Andersen


Bem, tenho que inspeccionar minuciosamente debaixo do meu colchão...Às tantas está lá a causa destas minhas prolongadas e irritantes dores nas costas! ahahah

(Dedicado à minha princesa "grão de ervilha" :)…

….sempre princesa, mas cada vez menos grão de ervilha! 💜)

novembro 20, 2016

Entre o inferno e o céu...

No passado dia 14, em vez de andar a escrever sobre a Super Lua, andei sim a subir pelas paredes, a rebolar pelo chão e em alguns momentos, quem espreitasse pela porta do meu quarto ainda podia ver-me de joelhos encostada à cama. Não que estivesse a rezar fervorosamente por um milagre, mas bem que precisava de um. Qualquer posição me servia em busca de algum alívio que não encontrava e nesse dia, senti que tinha atingido o limite da dor. É que não foi uma dorzeca qualquer, foi uma super dor, ou um emaranhado delas. E eu que até já tenho um bom rol de dores no currículo, naquela manhã e tarde que me pareceram infinitas, vivi um verdadeiro pesadelo, uma ida ao inferno! Foram horas e horas de agonia sem pausas. O meu cérebro quase entrou em estado de delirium e dei por mim a pensar compreensivamente naqueles familiares por parte materna que colocaram um ponto final na própria vida. E não foram nada poucos. Por dores da alma, do corpo ou das duas coisas, fazendo bem as contas, dá para encher os dedos das duas mãos. Mas adiante, que eu gosto muito de viver…

Não que seja masoquista, mas não tomo medicamentos. Só mesmo aqueles estritamente necessários e indispensáveis e nesse grupo não estão incluídos os analgésicos, anti-inflamatórios, ou relaxantes musculares, pelo que resisti à tentação de me deslocar ao hospital, ou de encher o organismo de drogas.

A minha cama tornou-se demasiado desconfortável para o meu corpo dorido, pelo que nessa noite, encontrei refúgio no quartinho de hóspedes no sótão. Não foi o paraíso que encontrei, mas pelo menos sempre estava mais perto do céu. J

O marido, solidário, ocupou a outra cama livre das duas que enchem aquele espaço. E lá no alto, para lá da janela do tecto, a lua enorme encontrava-se de vigia. Enquanto eu, a mulher-loba, uivava de dor na tentativa, muitas tentativas, de deitar o costado, ele, o enfermeiro de serviço, espreitava pela clarabóia e admirava a bela da super-Lua cheia. Bem sei que o que ele não queria era ver-me a mim, a sofrer e sem poder fazer nada. Diz ele que até tem medo de me mexer, não vá partir.

Hoje, a caminho das três semanas de uma crise aguda de hérnia lombar e mais umas coisitas, de muitas horas deitada no chão com o tecto por entretenimento, algumas melhorias e retrocessos (a noite é má curadora), consigo finalmente escrever qualquer coisa. Ainda tenho muita luta pela frente, mas sei que estou no bom caminho!

                                                                                                                 Fonte de imagem: Pinterest

novembro 07, 2016

Balança de mercearia


Aqui não se trata de dois pesos e duas medidas, não! É tão somente uma relíquia que nos veio parar às mãos. Um gesto atencioso. Uma prova de confiança e simpatia. Ou a paga em espécime de uma dedicação sem preço. Uma troca a bem dizer, mas acima de tudo um gesto bastante simpático e de uma grande generosidade. Obrigado avós Capitolinos!

Para quem é de signo Balança, ter um objecto destes em casa faz todo o sentido. É até uma espécie de amuleto. Como já tinha escrito anteriormente, aqui em casa gostamos imenso de objectos vintage, retro, antiguidades ou seja lá o que for, mas sem ser de colecção. Apenas porque sim. Porque são peças com alma. Bonitas. Decorativas. Esta, já ganhou um lugar de destaque na nossa cozinha e serve agora de fruteira. 


Tem duas frentes, ambas com as medidas de peso inscritas. No entanto, a minha preferida é aquela onde tem o nome do fabricante. É português, está claro! 


Limpei, lixei alguns pontos com ferrugem e o esmalte voltou a brilhar. Agora é só colocar um vidro novo para substituir o que vinha em falta e está recuperada. Pesar, ela pesa e que o digam os quilos de açúcar e de arroz que usei como medida! :)

novembro 06, 2016

Em jeito de homenagem...

Imagem via Pinterest


“Primavera

Passou um Verão, passou um Inverno. E certa manhã de Abril, a Fada acordou ainda mais cedo do que o costume. Mal o primeiro raio de sol entrou na floresta, ela saiu de dentro do tronco do carvalho onde dormia. Respirou fundo os perfumes da madrugada e fez uns passos de dança. Depois penteou os cabelos com os dedos das mãos a fazerem de pente e lavou a cara com orvalho.

- Que manhã tão bonita! – disse ela. – Nunca vi uma manhã tão azul, tão verde, tão fresca e tão doirada.

E foi pela floresta fora dançando e dizendo bom-dia às coisas. Primeiro acordaram as árvores, depois os galos, depois os pássaros, depois as flores, depois os coelhos, depois os veados e as raposas. A seguir começaram a acordar os homens.”

Sofia de Melo Breyner  
(assim mesmo como surge escrito na pág. 102 do meu livro da 3ª classe impresso pela casa da moeda em 1973)



Em jeito de homenagem à poetisa e escritora. Sophia de Mello Breyner Andresen faria hoje 97 anos.


Porque escolhi este texto? Porque o acho lindo. Porque fala da Primavera, a minha estação preferida. E de fadas. E da natureza. E do respeito pelas árvores e pelos animais. E da beleza que existe nas pequenas coisas…

… e também, porque é um texto que faz parte do meu livro de Português da terceira classe. Com pena minha, é o único que guardo ainda desses 4 anos de ensino (mais a gramática da 2ª classe), e que me traz tantas memórias. Marca o fim de um ciclo e o início de outro. A mudança de casa, de escola, de amigos, de modo de vida…Foi a mudança de profissão do meu pai, consequência do pós-revolução. Nesse verão de 74 tudo mudou. E este livro, “Caminhos”, que provavelmente pertencia ao plano de leitura anterior, foi adquirido pelo meu pai antes de nos mudarmos. Já na nova escola, percebi que não era o mesmo que ali se usava, mas não houve problema. Aquela era uma época em que o peso dos livros não era tão grande e as crianças ainda tinham alguma liberdade (apesar de recém saídos do antigo regime), quanto ao material escolar. Muitas vezes a professora permitia-me que o levasse para a escola e dele lesse alguns textos.  




novembro 02, 2016

A noite das bruxas...

Halloween, dia das bruxas, samhain ou festival dos fantasmas... A nossa noite quase dispensa descrições.                                                                                      

Esta Lua Nova de Escorpião foi vivida cheia de conspirações e a imaginação esteve ao rubro. Muitas surpresas aconteceram por aqui e todos vivemos estes dias com intensidade e empenho. Juntando a comemoração do dia em si, com todo o enredo de um aniversário com contornos de filme à Sherlock Holmes, e uma família danada para a brincadeira, só podia resultar numa noite memorável. 





outubro 30, 2016

Halloween

















O Halloween tem como origem Samhain, que era a celebração celta da última colheita do ano, do fim do Verão e início do Inverno, que para eles era quando começava o Ano Novo.

Juntavam-se na noite de 31 de Outubro para um alegre banquete, iluminado por uma grande fogueira. Faziam oferendas aos Deuses e aos seus ancestrais, que nessa noite tinham mais facilidade em atravessar para o mundo dos vivos.

Faziam-se adivinhações e previsões sobre o ano que aí vinha.

Em algumas tradições celtas os jovens corriam com tochas pelo limite das suas fazendas, como símbolo de protecção.

Os celtas não temiam a morte e aceitavam-na como algo necessário na vida.

Com a invasão dos Romanos e com as migrações ocorridas ao longo dos séculos, o povo Celta e os seus descendentes acabaram por adquirir outros hábitos, o que deixou a sua cultura camuflada em comemorações Católicas, como por exemplo o Samhain que coincide com o Dia de Todos os Santos.

É possível que a Igreja Católica tenha tentado eliminar a festa pagã e revelar um lado negativo, de relação com o Diabo e energias negativas nessa celebração.

Um dos símbolos do Halloween é a abóbora iluminada, que tem como nome Jack o' lantern.

Um mito irlandês fala de um homem chamado Jack a quem apelidavam de avarento. Supostamente ele teria feito um pacto com o Diabo, segundo o qual não poderia ser recebido no Inferno quando morresse. Uma vez que também não foi permitida a sua passagem para o Céu, o Diabo mandou-o para a noite escura com carvão que ele acendeu dentro de um nabo esculpido, para lhe iluminar o caminho.

Esta história, porém, tem como base o costume dos celtas levarem para casa, já no final do banquete, uma brasa da fogueira dentro de um nabo oco, servindo de lanterna.

Na Irlanda e na Escócia as pessoas começaram as fazer as suas próprias versões de Jack o' lantern para afugentar os espíritos.

Crenças à parte, acho que é bom aproveitarmos todas as oportunidades para reunir amigos e familiares, partilhar momentos de felicidade e diversão e manter viva a nossa criança interior.”

Obrigada Diana pelo teu texto. J

Cá por casa vive-se o espírito de Halloween, ou dia das bruxas se preferirem. ;) 





Tadinha da Milka, apanhou um susto quando saiu para o quintal e viu aquela cara feia cabeluda a olhar para ela. Logo se recompôs e respondeu-lhe à altura com o ladrar de quem é capaz de enfrentar este mundo e o outro… 

Da maga para vocês,
com muitos sustos!...
...muitos doces, queria antes dizer! ;)



outubro 27, 2016

O cantinho dos araçás






Entre o céu e a terra, encarrapitada no alto das escadas, observo e absorvo as energias da natureza e faço uma pausa nos afazeres diários. Gosto desta contemplação e destes momentos a sós comigo mesma e com a calma do campo na cidade. A copa do meu araçazeiro dá um refúgio perfeito, um pequeno paraíso, onde reina a paz e o tempo parece não existir e onde me refugio sempre que o clima o permite. Aqui encontro a inspiração, quando ela teima em se esconder de mim…

Voltando à terra. Hoje quero dar-vos a conhecer um fruto, o araçá! É ele o mote deste meu “post” e quase um desconhecido para a maioria dos portugueses.  A plantinha que em tempos viajou de avião até cá, hoje é uma árvore alta e frondosa (pelo menos para os meus poucos m2 de terra), de folha perene, pelo que se mantém bonita e verde o ano todo. Acho-a linda e os seus frutos uma dádiva da mãe natureza, que a esta altura já são menos, mas ainda os tem. Pequeninos mas muito saborosos e de polpa branca e carnuda, aqui em casa é um "ver se te avias", logo que surgem os pontinhos vermelhos entre o verde das folhas. Ainda não consegui colher (e não comer!) os suficientes para fazer doce que se veja, mas um dia hei-de experimentar. Até lá, delicio-me com os frutos acabados de colher, empoleirada no muro ou pendurada nos ramos, tentando alcançar os mais difíceis.