Em tempos
de contenção faz-se a festa com os da casa.
A minha
mãe faz anos a 31 pelo que não se livra do tema das bruxas. Este ano a festa
foi a dobrar. Foi 2 em 1.
Em tempos
de contenção faz-se a festa com os da casa.
A minha
mãe faz anos a 31 pelo que não se livra do tema das bruxas. Este ano a festa
foi a dobrar. Foi 2 em 1.
Dizem que
não há amor como o primeiro, mas não é bem assim. Eu apaixono-me por cada nova
casa que vamos ver. E não é uma paixoneta qualquer. É daquelas de tirar até o
sono. O primeiro amor, uma pequena vivenda anos 70/80, no alto de uma rua em
espaço aberto e amplo, deixou-me a sonhar com os possíveis jardins envolventes
que lá iria construir. Muita dança da chuva teríamos nós de fazer, porque ao
preço que está o metro da água e demais contas para terceiros e afins, só se
for um jardim de cactos no meio do deserto.
A segunda
paixão e que dura até ao dia de hoje, (tenho um coração grande, posso
apaixonar-me por vários amores ao mesmo tempo eheheheh), encheu-me as medidas,
os sentidos e a alma. A casinha (tem dois pisos, mas é uma casinha mesmo
assim), encostada à linha que nos separa do vizinho de trás. Um jardim (ou
vislumbre dele) à frente para nos receber e a quem passa. De um lado, uma
“floresta” de citrinos onde me imagino a percorrer caminhos feitos da cor de
tijolo e ladeados por malmequeres e flores de todas as cores. Do outro lado a
horta. Aquele rectângulo de terra que nos iria encher o prato (e mais à família
toda) e preencher as horas vagas e mais aquelas que queremos ter para ir
conhecer o mundo fora de portas. Se há mundo encantado, está ali, mesmo à mão
de semear e tão ao meu alcance (assim os deuses queiram e nos encaminhem nesse
sentido). Tem lá mais um apêndice (de terra) a querer obrigar-nos a ser
agricultores à força, mas isso agora também não interessa para nada.
(Para quem há uns tempos queria trocar a casa
por uma autocaravana para se fazer à estrada e ao mundo, agora só encontra pedaços
de terra enormes onde cravar e criar raízes bem fortes… E que eu pensava
difíceis de arrancar de onde estamos e vivemos as últimas 3 décadas, mas a
capacidade de sonhar é grande...)
E não é
que surge um terceiro amor, uma pequena e bonita vivenda, de construção
recente, rodeada de relva e sítios para flores, de onde posso ver quem passa,
mesmo como eu andava à procura. E ainda tem espaço suficiente para reunir a
família toda. E a horta. Essa, seja onde for, vai estar sempre lá à nossa
espera e das nossas árvores tropicais. Eu disse que não a ia ver com olhos de
apego. Não queria. Mas vi. E senti-me em casa, mesmo sendo a casa de alguém. Branca
e luminosa com tudo o que é preciso. Eu sei que ali íamos ser felizes.
Mas como o
número que mais me acompanha nos mais diversos acontecimentos é o 4, surge uma
quarta proposta que nos deixou a pensar. Não é nada do que eu queria (ou quase
nada), mas já me fez sonhar bastante. É um mundo fechado entre quatro muros (e
paredes), mas até que podia ser o meu mundo vendo bem as coisas de outro
ângulo. É a mais trabalhosa de início e uma carta fechada. Não foi uma paixão
assolapada à primeira vista, mas pode ser um amor forte e seguro para ir amando
a cada transformação.
As 4
fizeram o meu coração vibrar, e só espero que não apareça mais nenhuma porque a
continuar, a escolha torna-se cada vez mais difícil. Assim eu tivesse várias
vidas, tantas quantas as possibilidades que se nos apresentam. E ainda sobrava
uma vida para gastar numa casinha qualquer na rua de Óbidos. Naquela rua que eu
gosto tanto de calcorrear para um lado e para o outro. É a rua. A única.
💜
Ontem era
para ser o grande dia. Não foi aquele que se alinhavava há um ano atrás, com
todos os nomes que foram escritos nos convites, mas foi um dia especial na
mesma. Adiou-se a cerimónia oficial, a boda, o fotógrafo e tudo aquilo a que os
noivos têm direito. O vestido de sonho fica pendurado no cabide por mais um
ano, à espera que a noiva mais uma vez emocionada o vista e se façam os
arremates finais. Adiou-se a grande entrada na igreja pelo braço do pai. O
nervoso miudinho e a correria para se ter tudo pronto a tempo e horas. Mas não
se adiaram os sonhos. Esses, estão sempre presentes por mais que a vida nos
ponha em stand by.
E o dia
que não aconteceu por causa da pandemia, aconteceu na mesma, mas de uma forma
bem diferente. Se não houve um padre, houve uma linda sacerdotisa, uma irmã de
alma, que escreve belas palavras e tem a energia das deusas. Os convidados foram
aqueles a que chamamos “da casa” e dentro do limite permitido por lei. O local,
não podia ser mais apropriado. Ontem celebramos o amor, a vida, a família e a
natureza. Celebramos com o que ainda há em nós dos nossos antepassados celtas.
Ontem o
meu pai teria feito 80 anos. Não viveu o suficiente para assistir a este dia
mas esteve presente nos nossos corações, simbolicamente na data e na homenagem
que a neta lhe quis prestar com o ramo de flores brancas.
Por mais
que a vida nos queira fazer abrandar, este tem sido um ano e tanto! Espero que
o próximo seja mais suave com a humanidade e que nos seja permitido celebrar com
tudo. Pelo menos o adiamento serviu para que possamos ter presente no grande dia
uma pequena vida que se está a formar agora. Um pequeno ser que será muito bem
vindo às nossas vidas.