junho 25, 2016

Amuleto de Protecção
















Há quem apanhe a espiga e a guarde o ano inteiro para dar sorte. Eu faço o meu próprio ramo de protecção que penduro à entrada de casa e ali fica até o ano seguinte. Hoje foi tempo de dar cara nova ao meu amuleto e de desfazer o antigo e lança-lo ao vento para se misturar com as plantas do quintal. Os corações, símbolo do amor que impera aqui na casa, vão-se mantendo de ano para ano, de ramo para ramo. Estão cheios de arroz para trazer prosperidade e de alfazema, pelo perfume e pelo seu significado espiritual. A alfazema tem a função de trazer a harmonia e a tranquilidade ao lar. Já o louro e o alecrim, têm o poder de afastar as más energias e atrair as boas. O alecrim é considerado uma planta mágica contra o mau-olhado. É um óptimo purificador energético do lar. O louro é uma planta nobre e muito usada na Grécia e Roma antigas para coroar os vencedores nos jogos olímpicos. Simboliza a vitória que queremos para as nossas vidas e feitos e juntamente com o alecrim, mantem a negatividade bem longe da nossa porta. Para completar, uma fitinha vermelha, está claro! Vermelho é força, é paixão, é o sangue a pulsar nas nossas veias. Também ela é símbolo de prosperidade e de protecção. 









Por sorte, este ano o nosso loureiro está com bagas o que dá um toque ainda mais especial ao meu amuleto!



junho 20, 2016

Uma Lua Cheia para comemorar o início do Verão






Hoje somos brindados com uma bonita Lua cheia para comemorar o Solstício de verão e a entrada do Sol no signo de Caranguejo. O auge da Lua cheia de luz deu-se cerca do meio-dia (hora de Portugal), muito embora o Sol a essa hora a remetesse para longe da nossa vista. Já o Solstício irá ocorrer à noite, por volta das 23h35. Quem nascer durante o dia de hoje ainda será de signo solar Gémeos e só os nascidos depois daquela hora pertencerão a Caranguejo. O dia 21 de Junho é considerado o primeiro dia do verão, mas hoje, tecnicamente já será verão, mesmo que só por uns míseros 20 minutitos! J

Dizem os mais supersticiosos que este é um dia muito especial, porque a ultima vez que estas duas situações ocorreram em simultâneo, foi há quase meio século e diz a astrologia que é um momento favorável para dar a conhecer algum evento que se queira muito visível (não esquecer que amanhã também conta!) Uma Lua cheia encontra-se no máximo do seu brilho e força, pelo que se entende que seja esta a fase mais propícia a se ser notado e a ganhar popularidade. Isto conta para todas as Luas cheias do ano, muito embora, o Verão seja sempre uma época de maior expansão.
 

Daqui a pouco não se esqueçam de assistir ao pôr-do-sol e se não se lembrarem, também não faz mal, têm uma noite inteira para olhar para a Lua, lá redonda no alto!

Imagens via Pinterest e Google (desconheço os autores para lhes dar os devidos créditos)






junho 13, 2016

Almofada com "vivo" improvisado...







Esta almofada ainda tem as memórias de uns dias passados em Coimbra e entre a visita à família, uma bela de uma massagem total, as paisagens vistas de um comboio inter-cidades, houve tempo para me perder no mundo dos tecidos. Trouxe comigo vários e este, enquanto esperava pela sua vez de ganhar forma, foi repousando na prateleira das 1001 coisas para fazer. Ontem finalmente ficou pronta e teve direito a um cantinho especial no meu quarto. 


Depois de alguma procura nas lojas da zona, cheguei à conclusão que não havia nada que me agradasse o suficiente para fazer o acabamento à volta da almofada e lhe dar um toque especial. E como criatividade é coisa que não falta aqui por estes lados, improvisei um "vivo" com um resto de tecido de cetim amarelo e trapilho que também já tinha, para fazer o enchimento.





Não usei moldes e simplesmente cortei o tecido em 3 partes. Uma quadrada para a frente e duas mais estreitas, mas que no fim de levar um fecho e juntar uma à outra, ficam com o tamanho do quadrado frontal. Esta abertura é muito útil para poder lavá-la sem ter que andar a coser e descoser para tirar o enchimento.



Para o enchimento, fiz uma segunda almofada com uma flanela que havia na minha reserva de tecidos e já com uns bons anitos...Enchi com esponja (ou espuma) em flocos (mas podia ser outra coisa qualquer ao gosto de cada um) e para finalizar cosi a abertura na máquina, uma vez que precisa de muito menos lavagens que o exterior.




Digam lá se não ficou bem catita?!

maio 18, 2016

O sabor da felicidade







A felicidade tem sabor de crepe com gelado, chantilly e morangos, com pozinhos de canela e batido de morango a acompanhar, em cima da minha mesa de trabalho. Tem sabor de lanche surpresa preparado pela filhota. Há lá coisa melhor do que ser mimada por aqueles que amamos!? A felicidade é tão-somente isto. Momentos únicos feitos com coisas simples.  

maio 16, 2016

Physalis



A mãe natureza é maravilhosa! Esta bolinha amarela, linda e saborosa, é fruto do meu pedacinho de verde. Até ao ano passado desconhecia o que eram aquelas “coisas” de aparência seca e sem graça, que via à venda na prateleira das frutas no hipermercado. Um dia prestei mais atenção e reparei que dentro do invólucro de casca seca e fina, tinha uns frutos pequeninos e como sou muito curiosa e adoro fruta e experimentar sabores e consistências novas, trouxe uma cuvete comigo. Comemos os frutos, está claro, mas deixei um de parte que abri ao meio e coloquei a secar.  As sementinhas, já seco o fruto, coloquei-as na terra de um vaso que havia na varanda com um pé de pimpinela. 

Bem, este physalis (ou fisális) tem história, porque quase que era comido pelas nossas galinhas. O marido pensando que as “ervinhas” que nasceram no vaso fossem mesmo ervas daninhas, arrancou-as e deu-as às nossas Marias comilonas (sim, aqui todos os animais têm nome!). Por sorte, vi a tempo e ainda consegui salvar algumas, que transplantei. Hoje, verifico maravilhada, o quanto uma das plantas cresceu e se tornou forte, ocupando já grande parte do canteiro destinado à horta e como tem dado frutos ao longo de todo o ano.

Pelo que andei a ler por aí, trata-se de um fruto muito completo, porque além de ser muito rico em vitaminas A e C, ainda possui aminoácidos e sais minerais, tendo propriedades anti-inflamatórias, anti-oxidantes e que ajuda no combate à diabetes, ao reumatismo, cálculos renais, e muitos outras situações clínicas. E o melhor, é que podem ser comidos de variadíssimas formas, tanto frescos como secos, ao natural, em sumos, juntando a sobremesas ou como acompanhamento… Sinceramente, ainda não experimentei nada disso, porque à medida que vão amadurecendo são logo comidos. Que têm um aspecto muito “fino”, lá isso têm e devem ficar bem a decorar bolos!



maio 13, 2016

As experiências de uma ex-peregrina







Há muitos anos também eu fiz parte dos muitos peregrinos que perto do 13 de Maio caminham com destino a Fátima. Por quatro anos, nem sempre seguidos, vivi a experiência da peregrinação ao santuário. Três deles, porque ia acompanhar familiares, ou apenas, porque sim.

Ainda adolescentes, eu e a minha irmã, fomos acompanhar a nossa mãe que queria ir pagar uma promessa, ou agradecer à santa, não sei… Saímos de casa de madrugada e seguimos o percurso habitual de quem vai destes lados. A menos de meio caminho tivemos uma baixa. A minha mãe! Podíamos ter desistido, mas não. O espírito da coisa e o “sangue na guelra” da juventude (como dizia o meu pai), têm muita força. Continuamos as duas ora sozinhas, ora juntando-nos a outros caminhantes. Os nossos pais seguiram-nos na carrinha com os mantimentos e os colchões onde por algumas horas descansámos os corpos doridos, numas instalações cedidas para o efeito, algures lá pelo meio. No segundo dia, ainda de noite, voltámos à estrada e acabámos por encontrar um grupo já acostumado àquelas andanças, que nos guiou por atalhos e na escuridão, em que não se via nem um palmo à frente do nariz. Valeu pela experiência. No ano seguinte elas repetiram, sem mim, mas acompanhadas de um grupo de amigos. Correu bem e a minha mãe conseguiu concluir o que a impelia a ir a Fátima a pé.

Nas outras minhas duas aventuras como peregrina e que foram as últimas, numa delas, acompanhei pela segunda vez aquele que já era meu marido. Jurei para nunca mais. Fizemos diferente, saímos de casa ainda a noite era uma criança e com isso e com o muito frio que fazia sentimos necessidade de nos abrigar na soleira de uma porta onde sentados e tendo apenas o calor um do outro como conforto, adormecemos. Não se via viva ‘alma naquela terra e o silêncio era absoluto, mas mesmo assim e para não sermos surpreendidos ali, voltámos ao caminho. Lá mais à frente, sonolentos e gelados, procurámos abrigo numa paragem de autocarro, onde dormitámos por algum tempo, enrolados um no outro. Mas até aqui tudo bem e os quilómetros que fizemos a seguir também, até certo ponto…Diria mais, depois de despertos não havia quem nos apanhasse! Andámos sempre de seguida sem paragens e a passo rápido. O pior foi quando eu me vi a ficar com as pernas presas e se parava um pouco, ficava ainda com mais dificuldade em recomeçar. Pela hora do almoço os meus pais foram ao nosso encontro e fizemos um picnic na berma da estrada, onde recuperámos forças e eu apanhei boleia. O marido seguiu sozinho. Grande homem, que percorreu os últimos trinta e tal ou quarenta quilómetros a correr! Por algum tempo chegou a ter um companheiro de corrida, mas que não lhe aguentou a pedalada. E nós, no carro, íamos fazendo paragens e seguindo-o até ao destino. Foi a minha última peregrinação!

Numa vez anterior, e depois de uma má experiência, fui eu e a minha irmã. As duas sozinhas, mas prevenidas com fruta açucarada e sapatilhas bem folgadas e usadas. Fizemos o percurso em dois dias e pelo meio uma paragem para ir a casa descansar e prepararmo-nos para o dia seguinte. Alguém foi buscar-nos e levar de novo ao ponto em que ficámos na véspera. Correu tudo muito bem e sem bolhas. Fomos pelo espírito de aventura. Valeu o que valeu!

Propositadamente, deixei para o fim a experiência mais dolorosa de todas, a minha segunda ida a Fátima a pé e a única em que fui por uma promessa. Penso que foi tão difícil a peregrinação, como o foi o acontecimento que lhe deu origem. Disse alguém pelo caminho e já a poucos quilómetros do final, que é tão mais custosa a paga quanto maior for a bênção que obtivemos! Talvez o seja! Cometi a asneira de levar umas sapatilhas a estrear que me fizeram os pés numa bolha só, de ponta a ponta e no dia seguinte fiquei de cama com febre. Dessa vez partimos de madrugada e à hora do almoço estávamos a quatro quilómetros do santuário. Nunca aqueles últimos 4 km me pareceram tão longos. Levámos horas para os percorrer, mas não desisti, mesmo tendo quase perdido os sentidos algures ali à beira da estrada. Fui socorrida por um grupo de peregrinos vindos de Lisboa, no qual ia Frei Hermano da Câmara. A minha persistência taurina, alimentada pela fé e pela lembrança recente de um dos episódios mais difíceis da minha vida, não me permitiam desistir. Hoje, quando olho para trás e revejo aquele momento, sinto uma ternura imensa por aquele jovem casalito, que debaixo de chuva e abrigados no mesmo guarda-chuva, ele aparando-a e ela com as lágrimas a correrem pelo rosto, pisaram finalmente o chão de destino. Deles emanava um sentimento muito forte de amor, o mesmo amor que os levou até ali!

Hoje, não arriscaria tanto e nem me submeteria a tal sofrimento. Eu mudei e os meus valores de referência também já não são os mesmos. A Fé continua a existir, mas foi-se deslocando noutros sentidos. No entanto, não deixo de sentir um enorme respeito por todos os peregrinos, porque também já estive no lugar deles e sei o que os move.



                                                                                Imagem daqui